A pronúncia de príncipe e o uso de vós, de novo - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
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A pronúncia de príncipe e o uso de vós, de novo

Em primeiro lugar, desde já agradeço a resposta […].
Quanto à explicação que me foi dada, embora eu seja um ignorante nessa matéria, ela
levanta-me dúvidas. Se o segundo "i" passou a "e" na fala por dissimilação e se manteve imutável na escrita, então porque é que vemos escrito "príncepe" e não "principe" em livros mais antigos, com cerca de cem anos ou até menos? Veja-se, por exemplo, o frontispício de qualquer volume da "Monarquia Lusitana". Mais explícito que isso é difícil. Não teria sido antes pelo contrário? Quanto à palavra "princesa", pode ter origem em francês, mas eu acho que seria mais lógico provir do latim, até porque é mais parecido com a forma portuguesa, mas isto já sou só eu a dar palpites, provavelmente errados.
Havia um senhor que colocou há tempos uma questão acerca do uso de "vós" e de "vocês" e foi-lhe dito que ambas as formas eram correctas embora a segunda estivesse hoje mais vulgarizada. Eu não concordo e parece-me que qualquer pessoa que tenha alguns conhecimentos de gramática facilmente verificará que o uso de "vós" é o modo correcto porque o emprego de "você" e "vocês" constitui em si mesmo uma incoerência pelo facto de no singular se usar de modo formal e no plural de modo informal, isto sem falar no facto do uso de "vocês" implicar uma tremenda confusão de tempos e modos verbais.
Assim sendo, gostaria que me forre explicado, se possível, qual a origem deste emprego e porque é que se diz que é tão correcto quanto o de "vós", embora eu não concorde. […]

Miguel de Góis Silva Estudante Faro, Portugal 1K

A grafia príncepe reflecte precisamente a pronúncia com dissimilação de ii em ie. Quanto ao que pode parecer mais lógico, nem sempre é o que aconteceu! Quanto ao que já foi dito acerca de vós e você(s), ocorre acrescentar que você é a contracção de vossa mer, tratamento antigo de deferência. As línguas são o que são, por vezes nem tudo pode parecer o mais aceitável, ou o mais correcto.

F. V. Peixoto da Fonseca
Áreas Linguísticas: Fonética; Morfologia