Os registos atualizados são efetivamente perafita, nome comum, que significa «pedra de grandes dimensões» e «monumento megalítico» (dicionário da Academia das Ciências de Lisboa – ACL), e Perafita, nome próprio e um topónimo que se encontra em Portugal, nos concelhos de Alijó, Matosinhos, Montalegre, Penafiel e Tarouca (cf. José Pedro Machado, Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa, 2003 – DOELP). Conta-se ainda a variante Pedrafita, em Vila Nova de Famalicão (ibidem), e na Galiza é frequente o mesmo topónimo (cf. Nomenclátor de Galicia).
A palavra escreve-se, portanto, sem hífen, pelo menos em Portugal e, pelo menos, pelo que foi aqui possível apurar desde a aplicação da Convenção Ortográfica de 19451. É o que se infere do facto de, no Tratado de Ortografia da Língua Portuguesa (1947, p. 214), que é da autoria de Rebelo Gonçalves e que esclarece numerosos aspetos da aplicação desse documento normativo, se encontrar Perafita entre os compostos onomásticos em que «se desvanece a noção de composição» e , por isso, se faz «a soldagem gráfica dos seus elementos».
Mas importa assinalar duas situações na história da fixação ortográfica de perafita/Perafita/Pedrafita:
– o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa de 1940 (VOLP-1940), da ACL, apresenta duas grafias, pera-fita, com hífen, como registo do nome comum, e Perafita, sem hífen, forma do topónimo;
– o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa da Academia Brasileira de Letras (VOLP-ABL), no qual só se regista o léxico comum, apresenta a forma hifenizada, ou seja pera-fita, mas o Vocabulário Onomástico da Língua Portuguesa (1999), também da ABL, consigna Perafita.
Dado que o Brasil não ratificou a norma de 1945 e optou pelo Formulário de 1943, verifica-se que, quanto ao nome comum perafita, o VOLP-ABL manteve a grafia fixada pelo VOLP-1940.
Resta acrescentar que perafita e Perafita, com as referidas variantes, têm provavelmente origem na expressão latina «petra ficta», «pedra esculpida», em que ficta configura o particípio passado feminino de fingĕre, «modelar; esculpir»(Infopédia). Além de fazer parte da toponímia de Portugal e da Galiza, da expressão latina surgiram cognatos noutras regiões ib+ericas e até francesas: Piedrahita (Ávila, Castela-Leão), Pierrefite e Peyrefitte (DOELP). Observe-se ainda que pera, variante de pedra, se pronuncia geralmente com e aberto, como ocorrem Perafita, mas também pode ter e fechado em noutros nomes de lugar: Armação de Pera, Castanheira de Pera, Pera Longa, Pera Velha (cf. DOELP).
1 No dicionário de Cândido de Figueiredo, pelo menos em edições mais recentes, também figura como nome comum grafado como uma única palavra gráfica sem hífen: perafita.