A concordância de género com «Vossa Majestade» - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
Este é um serviço gracioso e sem fins comerciais, de esclarecimento, informação e debate sobre a língua portuguesa, o idioma oficial de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Sem outros apoios senão a generosidade dos seus consulentes, ajude-nos a dar-lhe continuidade: Pela viabilização do Ciberdúvidas. Os nossos agradecimentos antecipados.
A concordância de género com «Vossa Majestade»

Após ler com cuidado a resposta Concordância com «a gente», surgiu uma dúvida: se o referente extralinguístico de «sua majestade» fosse um homem, o que lhe deveria dizer num bom português «Sua Majestade está louca»? A língua portuguesa não permite a silepse de género?

De antemão, agradeço-lhes a sua douta resposta.

Terrence Fraser-Bradshaw Educador Georgetown, Guiana 5K

A resposta em causa refere-se a uma forma pronominal que caracteriza o registo informal e que, por isso, apresenta oscilações, permitindo a concordância semântica (ou siléptica).

Noutro tipo de registo, também é possível a silepse de género, como diz Evanildo Bechara, na Moderna Gramática da Língua Portuguesa (Rio de Janeiro, Editora Lucerna, 2002, pág. 547):

1) [Concordam pelo sentido] [a]s expressões de tratamento do tipo de V. Ex.ª, V. S.ª, etc.:          

V. Ex.ª é atencioso (referindo-se a homem)

  "       "  atenciosa (referindo-se a mulher)

OBSERVAÇÃO: Quando se junta um adjetivo a tais formas de tratamento, tal adjetivo fica no gênero da forma de tratamento:

Sua Majestade fidelíssima foi contrariado pelos representantes diplomáticos.

Carlos Rocha
Tema: Uso e norma Classe de Palavras: substantivo