DÚVIDAS

A pronúncia de -em final em Portugal
Acabo de ver, por acaso, a vossa resposta n.º 17 034 e gostaria de manifestar minha estranheza pelo facto de este site, sistematicamente, impor a pronúncia do chamado português europeu padrão (baseado na pronúncia de Lisboa), obliterando as outras realizações de pronúncias da língua portuguesa. Estou a falar, neste caso concreto, da pronúncia do ditongo escrito em que é só (e apenas só) na região de Lisboa que tem a pronúncia [ɐ̃j]. No resto de Portugal, não é pronunciado assim e em outros países de expressão portuguesa (como meu caso) também não. Por isso, eu acho estranho que o Ciberdúvidas não alerte que em outras variantes do português palavras como «têm, veem, vêm, deem, etc.» não são pronunciadas com dois ditongos, um a seguir ao outro ['ɐ̃jɐ̃j], mas são pronunciadas com uma vogal seguida de um ditongo ['eẽj]. Espero ter, humildemente, dado um contributo com esta pequena chamada de atenção e que eu esteja enganado ao pensar que o Ciberdúvidas quer «impor» a pronúncia lisboeta a não lisboetas e a não portugueses.
Antártida e Ártico
Segundo sei, e pelo que consegui pesquisar aqui no Ciberdúvidas em respostas a outras perguntas, o AO não altera a grafia dos nomes próprios, nos quais se incluem os nomes de continentes, países e demais topónimos.Assim sendo, julgo que, mesmo com AO, a grafia correcta do nome do continente gelado seria Antárctida, e não Antártida. Eventualmente, seriam admitidas ambas as grafias, caso em português do Brasil se escrevesse já antes sem c. O mesmo se passaria com Círculo Polar Árctico/Ártico.Seguindo ainda a lógica do AO, apenas nos adjectivos se suprimiria o c, como, por exemplo, em «o frio antártico/ártico».Pedia, por favor, que me esclarecessem se este raciocínio está correcto, ou se, afinal, as novas grafias passam a ser Antártida/Círculo Polar Ártico e estamos perante mais uma das excepções à regra do AO.Obrigado!
«Chico da rua»
Gostava de conhecer o significado desta expressão (possivelmente calão ou rima metida a martelo) que aparece na canção Eu Sou Maria-Rapaz, da Nani, que participou no Festival RTP da Canção de 1992. Eis o contexto: Chamas-me chico-da-rua e dizes que assim não dá Chamas-me pedra-de-lua, Maria-rapaz, sei lá Sou como a meloa, boa, só para quem provar Sou como a castanha, estranha, amor, que ao tocar te pica a mão Por dentro tão bom sabor e toda coração.
«Todo o corpo» e «todo corpo»
Como é que se deve dizer o Princípio de Arquimedes em português? Na Wikipédia leio: «Todo corpo mergulhado num fluido em repouso sofre, por parte do fluido, uma força vertical para cima, cuja intensidade é igual ao peso do fluido deslocado pelo corpo.» É possível a forma «Todo o corpo...»? Tenho lido alguma versão com esta outra forma. Em geral, em enunciados deste tipo (outro exemplo seria «Todo homem é mortal») é possível ou mesmo recomendável pôr um o após todo? Muito obrigado.
Maus-tratos e maltrato
Na minha área de investigação/ensino tem vindo a crescer nos últimos anos a utilização da palavra maltrato não como tempo verbal do verbo maltratar («eu maltrato») mas como substantivo, em substituição de «mau trato»/«maus tratos» (por exemplo, o maltrato físico). Não me parece uma utilização correta, mas, face à generalização do seu uso, gostaria de ter a vossa opinião – é correta, ou não, a utilização do termo nesse sentido? Muito obrigada.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa