DÚVIDAS

Sobre a palavra colportor
Gostaria de saber se a palavra "colpoltor", que designa, salvo engano, um vendedor protestante e ambulante de exemplares da Bíblia e de outros livros, o qual, por vezes, é também pregador, integra o vocabulário da nossa língua, ou deve ser considerada um estrangeirismo. De qualquer modo, gostaria que confirmassem o sentido da palavra, mencionado acima, e esclarecessem a sua etimologia. Muitíssimo obrigado eternamente.
Pretérito perfeito e construção de texto
Queria felicitar-vos pelo excelente trabalho que fazem, pois o Ciberdúvidas é ferramenta muito útil para quem tem dúvidas na língua portuguesa. Gostaria de saber quando redigimos um texto e utilizamos as formas verbais no pretérito perfeito. Devemos manter esse tempo verbal até ao fim? E na frase «Mas como lá não havia universidade, iria viver para Lisboa para poder tirar o curso», a forma "iria" está correcta? Não posso substituir por "foi"? Obrigada.
A palavra cassalho (ou caçalho?)
Gostaria de saber se a palavra "cassalho" (ou "caçalho") existe ou está dicionarizada. Ouvi-a recentemente na terra da minha mulher (Celorico de Basto), com o significado de «bebé» ou «criança muito pequena», mas não a encontro em nenhum dos dicionários que pesquisei (Porto Editora; Academia; Dicionário on-line Priberam). Curiosamente, ao fazer uma busca no Google, o termo aparece apenas enquanto apelido.
A pronúncia do latim (em escolas e universidades e no âmbito eclesiástico)
Em Portugal, há uma pronúncia standard do latim, comum nas escolas e universidades e no âmbito eclesiástico? E, se houver, é uma pronúncia muito "aportuguesada", ou corresponde à pronúncia 'tradicional' do latim, ou àquela "restaurada" (é dizer, "clássica")? A pronúncia tradicional é caracterizada pelas seguintes correspondências grafemas-fonemas? a: /a/ (sempre, sem fechar quando estar átono); ae: /E/ (aberto); b: /b/ (sempre, sem lenir quando estar posvocálico); c + a, o, u ou consoante: /k/; c + i, e, oe, ae: /s/ ??? cci: /ksi/; cce: /kse/; ch: /k/; d: /d/ (sempre, sem lenir quando estar posvocálico); e: /e/ (sem fechar quando estar átono) ou /E/ (aberto); f: /f/; g + a, o , u ou consoante: /g/ (sempre, sem lenir quando estar posvocálico); g + i, e, oe, ae: /Z/ (som inicial da palavra "giro"); gn: /N/ (como na palavra "minha")? gu + e, i: /gw/; h: muda; i: /i/ ou /j/; j: /j/ (como o 'i' da palavra 'maio')? k: /k/; l: /l/; m: /m/; n: /n/; o: /o/ (sem fechar quando estar átono) ou /O/ (aberto); oe: /E/ (aberto); p: /p/; ph: /f/; qu + e, i: /kw/; r: /r/ (nunca /R/ como em 'rato')? rh: /r/ (nunca /R/ como em 'rato')? s: /s/ (sempre, sem sonorizar até /z/ quando estar posvocálico)? t: /t/; th: /t/; ti + vogal: /sj/; u: /u/ ou /w/; v: /v/; x: /ks/ (sempre); y: /i/; z: /z/ (ésse sonoro, como em 'casa')?
«De forma alguma» e «de forma nenhuma», novamente
Já aqui vi algumas questões como aquela que irei expor, mas a resposta não me parece clara. Desejo ser elucidado de forma conclusiva. Usando a seguinte frase (isolada, sem qualquer contexto) como exemplo, «De forma alguma é azul», estou a negar que é azul, ou estou a dizer que de alguma forma é azul? Se estou correcto (e como vem descrito numa das respostas às questões anteriormente colocadas), só posso usar a expressão «de forma alguma» com sentido de negação quando na mesma sentença ela é acompanhada de uma negação. Ou seja, só poderei negar (utilizando a expressão «de forma alguma») que é azul da seguinte forma: «Não é azul de forma alguma.» De outra maneira, não é possível numa frase isolada fazer uma negação, utilizando apenas a expressão «de forma alguma» (sem outra forma de negação). Inequivocamente pode-se utilizar: «De forma nenhuma é azul.» Que é justamente o contrário de «De forma alguma é azul.» Numa das questões colocadas: «[Pergunta] Quando nos queremos referir a algo com que, por exemplo, não estamos de acordo, como nos devemos exprimir? "De forma alguma" ou "De forma nenhuma"? [Resposta] É correcto algum com sentido negativo (= nenhum), quando vem depois de um substantivo. Até o nosso grande Camões o empregou n´Os Lusíadas, I, 71: "Os segredos daquela Eternidade A quem juízo algum não alcançou!"» Ao contrário do que foi explicado, nenhum não tem qualquer sentido de negação mas, sim, a palavra não, pois, se colocarmos a mesma frase sem o não, ficando «Os segredos daquela Eternidade A quem juízo algum alcançou!», perde-se o sentido de negação, permanecendo a palavra algum e retirando o não. Portanto, algum não influencia a afirmação tornando-a uma negação. O nosso grande Camões nunca utilizou algum ou «de forma alguma» com sentido de negação (felizmente). Não obstante, esta expressão é comummente utilizada como negação e espanta-me como os usuários de um idioma permitem que «uma mentira dita muitas vezes possa tornar-se verdade». Ou seja, estou eu errado de forma alguma!? Ou não estou eu errado de forma alguma?! É de salientar que o não, nenhum, nada, nunca, jamais e outras é que fazem a diferença entre uma negação e uma afirmação. Expressões como «de forma alguma» poderão ser no máximo uma enfatização de uma negação: «Não é azul, de forma alguma.» Concluindo, ao dizer «De forma alguma é azul», estou exactamente a afirmar que de alguma forma é azul e não a negar que seja azul? Estou correcto quando afirmo que, por si só, a expressão «de  forma alguma» não representa uma negação? Queiram por favor corroborar ou contradizer as minhas declarações utilizando exemplos. Grato pela atenção.
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