Os valores modais do verbo poder
Uma vez mais a testemunhar o meu apreço pelo trabalho que vem sendo realizado por Ciberdúvidas no sentido de serem proporcionados os esclarecimentos que vos vão sendo solicitados.
Com o desenvolvimento da linguística e pelas diferentes interpretações que, por vezes, se encontram relativamente a um mesmo assunto, as dúvidas são cada vez maiores.
Venho, pois, solicitar o obséquio de me ser facultado um esclarecimento sobre os valores modais aplicáveis a uma dada frase. Assim, na frase «Amanhã podes sair», constatei as seguintes interpretações:
1. Uma interpretação deôntica da modalidade, pois «Podes sair porque já não tens febre», isto é, «sair ou não sair depende de uma situação, de um traço que te afecta»;
2. Uma 2.ª interpretação, epistémica da modalidade, pois «Podes sair porque eu... te dou autorização para isso».
Ora, esta segunda interpretação – "epistémica", no dizer dos autores – não será antes deôntica, precisamente porque não estará tanto o pretender avaliar a "verdade/falsidade" do conteúdo do enunciado, mas sim a pretensão do locutor em agir sobre o seu interlocutor, "autorizando-o"? Aliás, a parte final da interpretação isso mesmo deixa antever.
Grato pela disponibilidade.
Neste momento
Neste momento é um advérbio de tempo ou uma locução? Isto saiu num concurso público, gostava de saber a resposta correcta.
A grafia de marcas e modelos de produtos estrangeiros
Quais as regras para a grafia do nome das marcas e modelos de produtos estrangeiros, comuns na linguagem corrente? Sei que os estrangeirismos devem estar entre aspas ou em itálico, mas como devem ser acomodados os números e versões de modelos dos produtos? Estarão correctas as seguintes grafias?
«Eu tenho um "iPod nano".»
«Ele tem um "Renault Mégane 1.5 DCI".»
Mais especificamente: dever-se-á manter a capitalização do P em "iPod"? Dever-se-á incluir nas aspas o "1.5 DCI" em "Renault Mégane 1.5 DCI"?
Vi aqui numa resposta que os nomes próprios estrangeiros já não precisam de estar em itálico ou entre aspas, como no exemplo dado do produto Word. Isso também se aplica a "iPod"?
Na grafia de estrangeirismos usados na linguagem corrente e referentes a marcas e respectivos modelos, dever-se-á manter a capitalização original dos nomes dos produtos? Escreve-se: «um "ipod" nano», ou um «"iPod" nano»? E deveremos grafar o nome composto entre aspas?
Os diferentes textos de imprensa
Estou a falar na escola sobre textos de imprensa. Conheço a crónica, a notícia e a reportagem. Gostava que me esclarecessem se há mais algum tipo de texto de imprensa, e quais são as características de cada um, porque não consegui encontrar na Internet, e não tive a possibilidade de discutir com a professora.
Obrigadíssimo.
O termo lexia
Procuro saber se se pode utilizar a palavra lexia em português. A ideia, em concreto, é saber o que significa «diferentes lexias».
À volta das maiúsculas
Depois de consultar as respostas anteriores sobre as regras das maiúsculas/minúsculas nos títulos de obras, restam-me ainda algumas dúvidas. Numa das vossas respostas sobre o tema, dizem que os pronomes vêm em caixa alta. A minha dúvida é: isso acontece com todos os pronomes, ou só com os pronomes variáveis? Alguém e ninguém, por exemplo, escrevem-se como?
Em relação, por exemplo, às palavras muito, pouco, tanto, dado que podem ser consideradas pronomes indefinidos mas também advérbios, devo escrevê-las com maiúscula, ou minúscula?
Outra questão: expressões como «campeão do mundo» ou «seleccionador nacional», numa frase "normal" (digo, quando não é um título), escreve-se com minúscula, ou maiúscula? «Nélson Évora é campeão do mundo de triplo salto», ou «Nélson Évora é Campeão do Mundo de Triplo Salto»?; «Scolari foi o melhor Seleccionador Nacional», ou «Scolari foi o melhor seleccionador nacional»? A mesma dúvida em relação à palavra "pelouro": «Joaquim Pacheco é o vereador com o pelouro da Educação», ou «Joaquim Pacheco é o vereador com o Pelouro da Educação»?
Muito agradecida pela atenção dispensada e muitos parabéns pelo óptimo trabalho que desenvolvem!
«Quem vai à guerra dá e leva»
Gostaria de saber o significado deste provérbio:
«Quem vai à guerra dá e leva.»
E será que me podiam indicar um provérbio semelhante?
Agradeço a vossa resposta logo que seja possível.
O plural do antigo real
Tendo lido recentemente o artigo de Rui Tavares, onde é referida a curiosidade sobre a manutenção do Y do rei D. José, ocorreu-me uma velha dúvida relativa ao plural do antigo real português e brasileiro. Sei que o plural original, reais, se foi fixando em réis durante o reinado de D. Sebastião, começando então a surgir em documentação de meados do terceiro quartel do século XVI até ao início do século passado.
Lendo a resposta de A. Tavares Louro, de Maio de 2007, sobre a mesma questão, fiquei sem perceber se a grafia do plural réis (com o acento agudo, portanto) se deve manter, nomeadamente em trabalhos actuais sobre história económica ou numismática (onde o termo não está de todo obsoleto), ou se se deverá optar pelo plural reis (como «reis de copas e espadas»).
Adicionalmente, também pergunto se na grafia dos nomes de moedas, como o real, o escudo, o franco ou o euro deverão ser usadas as maiúsculas iniciais, ou tudo em minúsculas.
Grato pela vossa atenção.
Mulher do soba
Que nome se atribui à esposa do soba?
«Por seu lado»
Em conversa com um colega sobre a interpretação da expressão «por seu lado» na frase «depois da informação obtida a Carla comunica ao João que, por seu lado, comunica ao Gilberto...». O que está em causa é saber quem é que comunica ao Gilberto. Na minha interpretação quem tem de comunicar ao Gilberto é o João enquanto na interpretação do meu colega quem tem de comunicar ao Gilberto é a Carla. Gostaria que me dissipassem esta dúvida.
