DÚVIDAS

A pronúncia dos habitantes do Nordeste do Brasil
Sempre surgem críticas referentes ao modo nordestino de pronunciar as vogais e e o de sílabas átonas. O famoso gramático Napoleão Mendes chegou a dizer que tais vogais em sílabas átonas devem ser proferidas de maneira fechada, como de fato é a pronúncia dos moradores do Sudeste e do Sul do Brasil. Algumas pessoas chegam ao ponto de asseverar que a pronúncia nordestina, além de ser feia, é também errada. A questão é tão séria, que alguns nordestinos, quando vão a São Paulo ou a outros lugares daquelas regiões supramencionadas, ficam receosos de abrir a boca para que não passem por constrangimentos. Ora, de uma vez por todas, constitui erro pronunciar abertamente as vogais e e o quando fazem parte de sílabas átonas? Como exemplos, cito algumas palavras: PErnambuco, rEvElação, REcife, prOgrEssivo etc. Nesses exemplos, o E e O foram escritos com maiúscula para dizer que são prolatados de forma aberta. Espero vossa abalizada opinião, que agradeço desde já
As diferenças na pronúncia medieval em relação ao português moderno
Gostaria de saber quais as diferenças genéricas na pronúncia de um texto de uma cantiga de amigo para o português moderno. A cantiga em questão apareceu-me musicada pelo compositor Frederico de Freitas e chama-se Ay Deus val. Se a resposta for muito extensa e, consequentemente, difícil de obter aqui, a quem ou a que entidade me poderei dirigir para receber esta informação? Já tenho cantado muitas obras desta época e verifico que a pronúncia é feita de mil e uma maneiras diferentes de acordo com a vontade do director artístico do projecto, mas não segundo regras ou fundamentos válidos. Grata pela atenção.
Particípio de «pegar»
O livro "Curso de Gramática aplicada aos textos", de Ulisses Infante, diz que o verbo pegar tem como particípio apenas a forma regular: "pegado". No entanto, os meios de comunicação, pelo menos aqui no Brasil, a todo momento usam, na voz passiva, um particípio irregular, por exemplo: ele foi pego (uns dizem "pégo", outros "pêgo"). Eis, então, minhas dúvidas: 1) Isto é apenas um entendimento isolado de um gramático, ou uma regra da língua culta de consenso geral? 2) Caso realmente só exista "pegado", haveria, na língua culta, voz passiva com este verbo? Poderia-se dizer que "ele foi pegado" (chega a soar estranho, tal é o costume de se ouvir a outra forma)? 3) Se, ao contrário, haja, na língua culta, a possibilidade de se contruir uma frase do tipo "ele foi pego", como seria a pronúncia: pégo ou pêgo? Obrigado pela atenção.
Polissemia, novamente
Em março de 1998 e em dezembro de 2000 surgiram perguntas a respeito do termo "polissemia". O Ciberdúvidas respondeu: "Designa-se por polissemia o facto de uma palavra ter várias significações. Portanto, quando um termo se usa com várias acepções diz-se que há polissemia" conforme o Dicionário Aurélio. Acho que vale a pena lembrar que polissemia é diferente de homonímia. A palavra "ponto", por exemplo, usada em tantas acepções diferentes (ponto de partida, ponto de vista, ponto de ônibus, ponto final, etc.) é um caso de polissemia, pois da palavra inicial latina (que indicava um furinho feito por uma agulha) o significado expandiu-se. Já a palavra "manga", que pode se referir tanto a uma fruta quanto a um pedaço da roupa, é um caso de homonímia: o nome para o pedaço da roupa veio do latim "manica", enquanto o nome da fruta veio do malaio. As formas são iguais por coincidência – não é, portanto, caso de polissemia. E para distinguir a homonímia da polissemia, só mesmo sabendo a origem das palavras. Deve-se tomar cuidado, portanto, com ambos os conceitos. Sei que não estou fazendo nenhuma pergunta, mas pensei que essa explicação talvez fosse válida.
Animé ou anime, «desenhos animados japoneses»
Reparei recentemente que a palavra anime (de «animação japonesa») está no dicionário  como sendo em português europeu escrita animé, o que deixa também clara a forma como se deve pronunciar. A questão é que penso que a maioria das pessoas pronuncia "anime", em vez de "animé". Pesquisei na Internet e, de facto, não há muita informação em relação à palavra em português, assim como à sua adaptação para português. Gostaria de saber se animé é realmente a grafia definitiva da palavra, ou se pode preferir-se escrever anime, assumindo assim uma dupla grafia. Obrigado pela atenção.
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