DÚVIDAS

A simplificação da Língua Portuguesa
Sabemos que a linguagem surgiu pela necessidade de uma codificação escrita de mensagens, ainda que, nossos escritores e eruditos, vejam nela algo mais profundo e sublime do que esta modesta função. Se vejo a linguagem como uma forma prática de comunicação entre universos diferentes, por que ela guarda dentro de si tantos fatores complicadores ao seu aprendizados na forma de mistérios, dogmas e regras, zelosamente cultivados pelos que dela têm o domínio? Não seria desejável e necessária uma simplificação da interpretação dos códigos para que todos, até mesmo os menos dotados, pudessem melhor se comunicar? Por que a Língua Portuguesa tem tantas regras incoerentes de acentuação? Por que ora o "G" ou o "C" são fonados de forma diversa se estão seguidos de "e" ou "i"? Por que o "Ç" existe para servir apenas a 3 vogais, se há outros símbolos que produzem o mesmo efeito? Por que o ditongo decrescente ou o tritongo? Muitas línguas não têm nada disso e, nem por isso, deixam de bem cumprirem sua finalidade… Em resumo, por que a Língua Portuguesa tem que ser, desnecessariamente, complicada, se é viável uma simplificação objetiva, que não lhe castre a alma?
Ajudar como verbo transitivo indireto
Começo por agradecer o ótimo serviço que prestam aqui no Ciberdúvidas. Tornou-se uma ferramenta extremamente útil para ajudar a melhorar o nosso uso da língua. A minha questão: É muito frequente encontrarmos, em ambiente de tradução, expressões em inglês do género: «this feature helps you achieve better results», que, sendo gramaticalmente corretas e seguindo a intenção do texto de partida, traduziríamos como «esta funcionalidade ajuda-o a alcançar melhores resultados». No entanto, é cada vez mais comum a exigência de neutralidade de género nas traduções. Para conseguirmos essa neutralidade, tem-se visto e usado muitas vezes algo como «esta funcionalidade ajuda a alcançar melhores resultados», sendo que, em alternativa, se poderia dizer algo como «esta funcionalidade dá uma ajuda para alcançar melhores resultados», o que resulta numa frase maior e mais complexa, algo muitas vezes não desejado no ambiente de tradução. Aproveito para referir que se mantém o verbo ajudar na tradução, uma vez que o texto de partida não pretende dar garantias sobre a eficácia de tal funcionalidade, mas sim indicar que o seu uso pode dar certos resultados. Este distanciamento é subentendido como uma forma de o autor do texto original de se ilibar de responsabilidades no caso de o uso de tal funcionalidade não dar os resultados pretendidos pelo utilizador da mesma. Neste caso, estamos a omitir o complemento direto. Sendo ajudar um verbo transitivo, parece errado omitir o complemento direto. No entanto, uma breve pesquisa na Internet revela que o uso de ajudar sem complemento direto, em estruturas semelhantes, está bastante disseminado. Posto isto, gostaria que me esclarecessem, se possível, se: – há flexibilidade para omitir o complemento direto e, se sim, em que casos o poderemos fazer; – a estrutura «ajudar a» + verbo no infinitivo é válida, à luz do exposto acima. Desde já agradeço a vossa disponibilidade e bom trabalho.
A concordância com nomes de grupos musicais
Na oralidade é comum usar o artigo no plural antes do nome de grupos musicais de rock, pop e outros estilos populares urbanos. Dizemos «os Deolinda», «os Xutos e Pontapés», «os GNR», «os Queen» ou «os U2», por exemplo, em referência àqueles grupos musicais. Todavia não dizemos "os Orquestra Gulbenkian" ou "os Banda Sinfónica Portuguesa" ou "os quinteto de Mário Laginha" (esta seria muito má...) ou "os Rancho Folclórico do Cartaxo" (não sei se existe) ou "os Tuna Universitária de Aveiro". Porque é que isto acontece? Penso que num texto escrito não é admissível usar as primeiras formulações, ou é?
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