DÚVIDAS

Concordância de predicativo:
«ela é o novo diretor da escola»
Na Internet leio muitas vezes que a regra de uso dos substantivos biformes e uniformes é simples: Os substantivos biformes possuem uma forma para o masculino e outra para o feminino: Ele é um menino muito educado/Ela é uma menina que canta bem. Ele é um ator famoso/Ela é uma atriz fantástica. Já os substantivos uniformes têm uma só forma para ambos os géneros: Ele é um estudante da FLUL/Ela é uma estudante da FLUL. O João é o nosso principal cliente/A Joana é a nossa principal cliente. Porém, já há muito tempo que reparei que nem sempre tal é o caso. Talvez esteja enganado, mas parece-me que com alguns substantivos biformes que possam ser referência tal como ao sexo masculino quer ao feminino, pode-se usar a forma masculina para representar ambos. Não sei bem porquê, mas as seguintes frases não soam tão estranho. Aliás, até me parece ser mais sofisticado que se usasse a regra acima descrita: Ela é um deputado do Partido Socialista. A Joana continua a ser um dos melhores alunos da nossa escola. A minha mãe foi sempre um cidadão exemplar para a nossa sociedade. A Paula Mendes exercerá temporariamente as funções de diretor da escola. Quando crescer, ela diz que gostaria de ser um professor na escola onde estuda agora. Marta Braga foi o último ministro da saúde competente que Portugal teve.
Ainda a pronúncia de colite
Com respeito à pergunta sobre a pronúncia de colite, respondida pelo Sr. Carlos Rocha, e estendendo o comentário sobre esse mesmo assunto que está na "Primeira Página" de hoje, ocorreu-me perguntar porque os Portugueses têm tanta preocupação com a correção da pronúncia das palavras, não considerando as variações regionais que ocorrem em qualquer língua. No Brasil também temos variações, mas nenhum professor se preocupa em ensinar que a pronúncia de "colite" é com "o" fechado ou aberto; ele ensinará como fala em seu meio e se alguém encontrar diferente em outra região apenas constatará que ali se fala diferente. Vejo pelo meu caso: nasci no Nordeste e vim para o Rio de Janeiro aos 17 anos e aqui constatei, a princípio, que certas palavras me soavam estranhas; enquanto eu pensava em "dia", ouvia "djia"; enquanto pensava em "dois", ouvia "doich"; enquanto pensava em "dente" ouvia "dentche", mas isso nunca me trouxe a preocupação de que eu deveria pensar se estava certo ou errado ao falar diferente. Com o tempo absorvi o falar "carioca" e hoje já nem percebo, e quando volto ao Nordeste continuo falando "carioca", sem me preocupar com o fato de que lá aprendi diferente. Talvez por isso que aqui se dá menos importância à aprendizagem do padrão (?) da língua falada, o que pode até parecer inaceitável aos linguistas; a mim, particularmente, preocupa, isso sim, o escrever correto, porque a língua escrita é a que fica e perpetua o idioma para os séculos futuros, seja pela manutenção, seja pelas alterações que por certo ocorrerão. Concluindo, não importa aos Brasileiros, em geral, se a pronúncia correta é a do Norte ou a do Sul, ou qual seja; falamos a mesma língua e independentemente das divergências de pronúncia, entendemo-nos os 194 milhões sem a menor dificuldade. E isso é uma riqueza que poucos países de grande população podem ostentar.
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