DÚVIDAS

Maiúsculas e minúsculas em abreviaturas
Prevê o novo acordo ortográfico, na sua Base XIX, 1, f), que «A letra minúscula inicial é usada nos axiónimos/axiônimos e hagiónimos/hagiônimos (opcionalmente, neste caso, também com maiúscula): senhor doutor Joaquim da Silva, bacharel Mário Abrantes, o Cardeal Bembo; santa Filomena (ou Santa Filomena)». A questão prende-se com o uso de abreviaturas nestes casos, quer quando obrigatórios, quer quando opcionais. Devem também grafar-se em minúsculas?, de onde teremos: «sr. dr. Joaquim da Silva», «s. António», etc. Agradeço a atenção.
Centígrados + percentagem
Nesta resposta pode ler-se: «Os símbolos das unidades são escritos a seguir aos algarismos que representam a grandeza, com um espaço de intervalo (ex.: 3 min). O símbolo do grau Celsius (conhecido por centígrado) é ºC. Portanto, por exemplo, deve escrever 10 ºC e não «10ºC, ou 10º C, ou 10 º C»). No caso da representação em percentagem, eu considero que o conjunto é que representa a percentagem, e escrevo, por exemplo, 10% (`dez partes em cada cem´) e não «10 %». Ao seu dispor, D´ Silvas Filho» Duas observações (se calhar já obsoletas): 1 – «conhecido por centígrado»: [http://www.bipm.org/fr/si/history-si/temp_scales/ipts-48.html] O grau Celsius não é conhecido por centígrado nem pode ser, pois são coisas diferentes. Tal como acontece, por vezes, com palavras que parecem redundantes, se atendermos à origem, graus Celsius e graus centígrados não têm nada a ver uns com os outros. Quer dizer, a sua definição é diferente (desde 1954). E parece que homenagear Celsius e evitar confusões com o prefixo “centi” também ajudaram a mudar o nome da escala. Foi o escolhido entre as opções: grau centígrado; grau centesimal; grau celsius. [http://www.bipm.org/en/si/si_brochure/appendix1/decisions_base_units/decisions_temperature.html] A unidade 'grau Celsius' é igual à unidade 'kelvin'; O grau Celsius é a mesma escala lida em cima de um escadote!: serve apenas para dizer 30 em vez de 303,15. O valor da unidade é o mesmo; quer dizer: de 30 ºC para 31 ºC vai o mesmo que de 303 K para 304 K. A definição de grau centígrado vem, como nos lembramos, de dividir em 100 segmentos a diferença da altura de uma coluna de mercúrio entre o ponto de congelação e o de ebulição, da água... (Anders Celsius, 1701-1744). Os links contam a história. A definição de kelvin vem do ponto triplo da água, e os graus Celsius apenas transformam os valores para números mais corriqueiros. [http://www.bartleby.com/64/C004/016.html] 2 – «eu considero que o conjunto é que representa a percentagem» Se por vezes há excesso de humildade (em prejuízo da simplicidade das respostas) por parte dos estimados e doutos consultores do nosso essencial Ciberdúvidas, outras vezes... O símbolo % significa estritamente o número 0,01. Como se sabe, um espaço também serve para indicar multiplicação. Assim, escrever 10 % quer dizer 10 x 0,01. Logo se vê que não fica bem escrever 10% pois é como escrever 100,01 quando se quer dizer 10 x 0,01. Mas é um engano tão vulgar, que até no próprio documento do BIPM, "Le système international d'unités", se pode encontrar um exemplo! Apesar de ser evidente, quando se nota que % apenas significa o número 0,01, que deve haver um espaço a separar os dois números que se escrevem, calculo que seja praticamente impossível conseguir abolir este mau hábito. Também não é difícil chegar a essa conclusão, pensando que % é um símbolo (neste caso de um número) como kg é um símbolo (neste caso da unidade quilograma) e se há espaço entre o valor numérico e o símbolo da unidade, também deverá existir entre o valor numérico e o símbolo de 0,01. É com grande apreço e admiração que sigo o esforço que o Ciberdúvidas tem feito para se manter actualizado e rigoroso nestas matérias, compreensivelmente longe de serem as preferidas dos estimados linguistas, digo eu...! Estas minhas observações têm intenção de ajudar nessa, às vezes górdica, tarefa.
«Hei de lhe dizer», sem hífenes
O hífen era comum nas expressões hei-de, hás-de, etc. etc. Com o Acordo Ortográfico [de 1990], passamos a hei de, hás de. Até aqui é claríssimo. Havia também casos mais complexos com dois hífenes no mesmo conjunto como hei-de-lhe, hás-de-me, etc. Imagino que as formas gráficas corretas passam a ser hei de lhe, hás de me. Ou teria alguma sensatez, cair o primeiro hífen e não o segundo, e passarmos a grafar "hei de-lhe," "hás de-me"? Grato.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa