DÚVIDAS

As aspas, outra vez
Com relação à consulta sobre o emprego das aspas com outro sinal de pontuação, creio que se deve observar o seguinte: - O sinal abrangido pelas aspas se mantém, permanecendo o ponto final (ou outro qualquer) após as aspas, que a ele compete encerrar o período, e não às aspas. Trata-se do caso em que a expressão entre aspas é parte do período. Ex.: Marina sussurrou: "Aonde vamos?". Poderia Marina sussurrar: "Aonde vamos?"? Poderia Marina dizer: " Não virei almoçar."? Note-se que, no caso de frase declarativa abrangida pelas aspas, basta um ponto final após as aspas, mas sempre após elas. Ex.: Marina disse: "Não virei almoçar". - Não há sinal após as aspas. Trata-se do caso em que toda a frase ou todo o período são abrangidos por elas. Ex.: "Não basta conquistar a sabedoria, é preciso usá-la." Justifica-se o exposto pela necessidade de preservar a entonação própria do período e a da oração abrangida pelas aspas.
Funções sintáticas dos pronomes pessoais
No livro de exercícios Gramática Activa I, de Olga Mata Coimbra e Isabel Coimbra, edição Lidel, aparece como pronomes pessoais do complemento directo me, te, o/a, nos vos, os/as e como pronomes do complemento indirecto me, te, lhe, nos, vos, lhes. A minha dúvida recai sobre os pronomes da 1.ª e 2.ª pessoas do singular e do plural, como exemplos apresentam as seguintes frases: Como pronomes pessoais do complemento directo «– Não consigo levantar o caixote. Ajudas-me?/– Ajudo-te já. É só um minuto» e «–Podes levar-nos a casa?/– Está bem. Eu levo-vos.» Como pronomes pessoais do complemento indirecto: «– Apetece-te alguma coisa?/– Apetece-me um gelado» e «– O que é que nos perguntaste?/– Perguntei-vos se vocês estão em casa hoje à noite.» Reformulando cada frase introduzindo a preposição a (por excelência a preposição que inicia o complemento indirecto) resultaria algo como: «– Podes ajudar a mim?/– Eu posso ajudar a ti»; «– Podes levar a nós a casa?/– Eu levo a vós a casa» (ex. do comp. directo); «– Apetece alguma coisa a ti?/– A mim apetece um gelado»; «– O que perguntaste a nós?/– A vós perguntei se estão em casa» (ex. comp. indirecto). Como poderei distinguir se um me, te, nos, ou vos é o pronome pessoal de um complemento ou do outro, já que todos me parecem ser do indirecto?
Centígrados + percentagem
Nesta resposta pode ler-se: «Os símbolos das unidades são escritos a seguir aos algarismos que representam a grandeza, com um espaço de intervalo (ex.: 3 min). O símbolo do grau Celsius (conhecido por centígrado) é ºC. Portanto, por exemplo, deve escrever 10 ºC e não «10ºC, ou 10º C, ou 10 º C»). No caso da representação em percentagem, eu considero que o conjunto é que representa a percentagem, e escrevo, por exemplo, 10% (`dez partes em cada cem´) e não «10 %». Ao seu dispor, D´ Silvas Filho» Duas observações (se calhar já obsoletas): 1 – «conhecido por centígrado»: [http://www.bipm.org/fr/si/history-si/temp_scales/ipts-48.html] O grau Celsius não é conhecido por centígrado nem pode ser, pois são coisas diferentes. Tal como acontece, por vezes, com palavras que parecem redundantes, se atendermos à origem, graus Celsius e graus centígrados não têm nada a ver uns com os outros. Quer dizer, a sua definição é diferente (desde 1954). E parece que homenagear Celsius e evitar confusões com o prefixo “centi” também ajudaram a mudar o nome da escala. Foi o escolhido entre as opções: grau centígrado; grau centesimal; grau celsius. [http://www.bipm.org/en/si/si_brochure/appendix1/decisions_base_units/decisions_temperature.html] A unidade 'grau Celsius' é igual à unidade 'kelvin'; O grau Celsius é a mesma escala lida em cima de um escadote!: serve apenas para dizer 30 em vez de 303,15. O valor da unidade é o mesmo; quer dizer: de 30 ºC para 31 ºC vai o mesmo que de 303 K para 304 K. A definição de grau centígrado vem, como nos lembramos, de dividir em 100 segmentos a diferença da altura de uma coluna de mercúrio entre o ponto de congelação e o de ebulição, da água... (Anders Celsius, 1701-1744). Os links contam a história. A definição de kelvin vem do ponto triplo da água, e os graus Celsius apenas transformam os valores para números mais corriqueiros. [http://www.bartleby.com/64/C004/016.html] 2 – «eu considero que o conjunto é que representa a percentagem» Se por vezes há excesso de humildade (em prejuízo da simplicidade das respostas) por parte dos estimados e doutos consultores do nosso essencial Ciberdúvidas, outras vezes... O símbolo % significa estritamente o número 0,01. Como se sabe, um espaço também serve para indicar multiplicação. Assim, escrever 10 % quer dizer 10 x 0,01. Logo se vê que não fica bem escrever 10% pois é como escrever 100,01 quando se quer dizer 10 x 0,01. Mas é um engano tão vulgar, que até no próprio documento do BIPM, "Le système international d'unités", se pode encontrar um exemplo! Apesar de ser evidente, quando se nota que % apenas significa o número 0,01, que deve haver um espaço a separar os dois números que se escrevem, calculo que seja praticamente impossível conseguir abolir este mau hábito. Também não é difícil chegar a essa conclusão, pensando que % é um símbolo (neste caso de um número) como kg é um símbolo (neste caso da unidade quilograma) e se há espaço entre o valor numérico e o símbolo da unidade, também deverá existir entre o valor numérico e o símbolo de 0,01. É com grande apreço e admiração que sigo o esforço que o Ciberdúvidas tem feito para se manter actualizado e rigoroso nestas matérias, compreensivelmente longe de serem as preferidas dos estimados linguistas, digo eu...! Estas minhas observações têm intenção de ajudar nessa, às vezes górdica, tarefa.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa