Rui Ramos - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
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Rui Ramos
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Rui Ramos, jornalista angolano, nascido em Luanda em 1945.

 

 

 
Textos publicados pelo autor
Por Rui Ramos

Já venho tarde, mas não queria deixar de saudar a boa nova. Não me refiro à baixa do IVA, anunciada pelo ministro das Finanças, mas à nossa "expansão", prevista pelo ministro da Cultura. É verdade: vamos expandir-nos. Está para chegar um Portugal maior. Talvez a sua população e riqueza até venham a diminuir, mas que importa? Temos uma arma secreta para conquistar o mundo: aquela que Fernando Pessoa insinuou maliciosamente ser a "pátria" dele — a língua portuguesa. É o que nos prometem os cren...

Os dicionários Aurélio e Michaelis registam as expressões «Quebrar um galho» e «Quebrar o galho», respectivamente, significando «Resolver ou ajudar a resolver uma dificuldade» e «Resolver uma situação difícil». Trata-se de gíria brasileira. Nos meios urbanos angolanos pode haver quem use essa expressão, por influência brasileira, mas não está generalizada. Na gíria luandense usa-se a palavra «mambo» para «problema» («qual é o mambo?»). E, por curiosidade, quando há um problema, os angolanos, despreocupados, desabafam: «Não tem problema».

Bunda, aportuguesamento do quimbundo mbunda, significa no original como na nossa linguagem corrente «traseiro». Vários dicionários de português o referem.

No dicionário da Academia das Ciências de Lisboa vem: «s.f. (Do quimbundo mbunda, "nádegas"). Nádegas = cu (Pop), rabo, traseiro.» Já o dicionário Houaiss regista: «Região glútea; as nádegas (...) A palavra está registada no "Novo Dicionário da Língua Portuguesa" (1836), de Constâncio, como um angolismo (...). Etimologicamente vem do quimbundo "mbunda", quadris, nádegas.»

Quanto ao Moderno Dicionário da Língua Portuguesa Michaelis, lê-se este mimo: «Designativo de uma língua falada pelos pretos de Angola». E, mais adiante: «Diz-se de qualquer linguagem corrupta e dissonante. (gír) Reles, sem valor. Língua do grupo banto de Angola e costas vizinhas, Congo e Benguela. Sin. do quimbundo: bunda (quimbundo: mbunda) Nádegas.»

Finalmente, o Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa: bunda (do quimbundo mbunda).(...) As nádegas e o ânus. (...) A parte carnosa do corpo formada pelas nádegas.»

À parte essa referência à «linguagem corrupta e dissonante», a que não é alheia a visão colonialista sobre os negros africanos e a sua maneira de se expressar em português, todos os dicionários citados são unânimes no significado certo da palavra, seja na variante em português ou em quimbundo.

É, afinal, o que em Angola se diz correntemente para significar «traseiro». Nomeadamente, o traseiro feminino. E, ainda mais em especial, quando ele é motivo de admiração: «Que grande bunda!»...

Quanto à dificuldade de se encontrar à venda um Dicionário Quimbundo-Português é po...

Deve, de facto, escrever-se Península Ibérica e não "península Ibérica", por se tratar da designação oficial de uma região, o que não é o caso (como é, por exemplo, o da península de Setúbal).

As minhas desculpas pelo erro.

N.E. - Esta é uma questão com posições diametralmente distintas, ilustradas em várias respostas e mensagens anteriores.

A forma correcta de escrever é director-presidente (ou diretor-presidente, no Brasil), em caixas baixas, por se tratar da designação de um cargo, tal como «primeiro-ministro», «director-geral», entre outros. Diferente será, por exemplo, «Direcção-Geral do Ambiente», designação oficial de uma instituição; mas «aquela direcção-geral». 

Cf. Maiúsculas e minúsculas, in Respostas Anteriores