João Carlos Brito - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
João Carlos Brito
João Carlos Brito
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Professor e escritor português, licenciado em Línguas e Culturas Modernas pela Universidade de Aveiro, e pós-graduado em Bibliotecas Escolares, pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto. Autor ou coautor, entre outros livros, de Em Português nos (Des)entendemosDicionário do Calão do PortoLugares e Palavras de Lisboa e Anjos.

 
Textos publicados pelo autor
Dicionário de Calão do Norte
A Maravilhosa Viagem ao Português Mais Português de Portugal
Por João Carlos Brito

O subtítulo desta divertidíssima recolha do também autor de Em Português nos (Des)entendemos — As melhores expressões regionais da língua portuguesa ilustra logo à partida o propósito explícito na sinopse do seu mais recente livro: a preservação desse «fabuloso tesouro que é o falar nortenho», cujas gentes «se topam à légua pela forma como tratam as vogais e uma consoante em particular, mas também [por serem] donos de um vocabulário muito próprio». 

Alguns exemplos mais sugestivos (e desconhecidos pela generalidade de quem não viva «onde não só nasceu Portugal como foi gerada a que havia de ser a língua de Camões»), por ordem alfabética conforme a estrutura da obra: «À ramaldense», «abechucho», «arencu»; «bater a caçoleta», «botar os olhos», «bufagata»; «carcaralho», «calhandrina», «caramilho»; «dar um balote», «deita-lhe lenha», «descalçadela»; «emboligar», «és de Braga», «estrôbo»; «falar para a central», «fonha-se», «Fredo Brilhantinas»; «gabeijo», «geraldina», «guardar o defunto»; «há sempre um testo para cada panela», «helicópetero», «hipipotado»; «ir como um stuka», «ir guardar os pitos ao abade», «ir medir caixotes»; «jeco», «jorca»; «larada», «lésero», «limpar o salão»; «malota», «mandar abaixo de Braga a sete léguas»; «não me toques», «nascida», «nichada»; «ocaia», «o teu pai é careca», «ovo estrelado»; «pagar for ao cabido», «pataqueira», «pincel»; «que punha!», «quinhentinhos», «quiquerichar»; «ratrocosa», «rodilhona», «roncar como um camúrsio»; «sabes mais do que a Lúcia», «sarrabulhada», «semelé»; «tá certo, senhor Alberto», «tás-te a pôr a cavalo num quarto de sêmea», «tia maria»; «um neca», «umanamula», «unhante»; «vai mamar na quinta pata do cavalo, «vigairada», «vir ao cheiro»; «xona», «xudairo», «xuxar a toca»; «zé broa», «zobaida», «zorrão».

Termos e expressões do, assim considerado pelo autor, ...

Em Português nos [Des]entendemos
As melhores expressões regionais da língua portuguesa
Por João Carlos Brito

Em quantas e variadas formas se pode expressar a língua portuguesa?

Que diferentes significados pode assumir uma palavra pronunciada em diferentes pontos de um mesmo país? É sobre esta questão – a diversidade linguística – que o professor e escritor João Carlos Brito se tem debruçado na sua produção literária, ao longo do tempo.

Um dos mais recentes resultados desse trabalho é o livro Em Português nos [Des]entendemos (Porto Editora).Título original de um dos módulos do conhecido magazine televisivo Cuidado com a Língua!, é aproveitado pelo autor para lembrar o mesmo: os falantes da língua portuguesa nem sempre se entendem, devido ao desconhecimento da diferença de termos e expressões usadas em várias regiões do país.

Em dez capítulos, numa “viagem” do Minho ao Algarve, passando pelos Açores e Madeira, o livro esmiúça uma série de expressões regionais e populares, como o devido significado e contexto histórico.

«Cada capítulo apresenta palavras e expressões por ordem alfabética, selecionadas tendo em conta diversos critérios, como a frequência de uso pelos respetivos falantes, o caráter identitário ou as histórias que têm para contar no campo da etimologia e da etnografia» ...

Dicionário de Calão do Minho
Variantes dialetais minhotas: regionalismos, idiomatismos, provincialismos, localismos, calão, gírias e outras linguagens marginais e informais dos falantes do Minho
Por João Carlos Brito

Autor do Lugares e Palavras do Porto (2014)Dicionário de Calão do Porto (2016), João Carlos Brito retoma com este novo livro o seu trabalho de recolha do léxico dos dialetos portugueses, sobretudo os setentrionais. A sua atenção vira-se agora um pouco mais para norte, para a antiga província do Minho, que hoje corresponde aos distritos de Viana do Castelo e Braga.

Trata-se de um pequeno dicionário de cerca de 100 páginas que compreende uma “Introdução” e, logo depois, a nomenclatura, que reúne para cima de um milhar de entradas ordenadas alfabeticamente, das quais perto de 30 constituem artigos mais desenvolvidos, sempre numa linguagem acessível ao grande público. A capa evoca os tradicionais lenços de namorar e os seus típicos erros ortográficos acompanhados de alguns traços dialetais. Temos, portanto, o betacismo: «bai-me à benda», em lugar de «vai-me à venda» (venda = loja), com troca do “v” pelo “b” e “chuiba”, que ostenta o ditongo “ui” e pressupõe a forma “chubia” ou “chuvia” (que é a galega), do latim pluvia, com metátese (troca de posição vocálica) da vogal “i”. Também aí aparece a construção «com nós», em lugar de connosco, e vários itens lexicais que são característicos dos distritos em referência.

Note-se que grande parte dos itens recolhidos não é exclus...

<i>Dicionário de Calão do Porto</i>
Por João Carlos Brito

O que significa «chuço», «dar um chito», «cruzeta», «morcão» ou «esganar um paiva»? E «fino como um alho», «nalgueiro», «ferrar o galho», «finguelas», «ir de saco», «lostra» ou «songa»? Ou ainda «vai-te quilhar», laurear a pevide», «fazer um foguete», «estar com o toco» e «romper meias solas»? Todas estas expressões e termos, pouco ou nada conhecidos pelo comum dos falantes de português, estão no Dicionário de Calão do Porto, de João Carlos Brito, que compila  4000 significados, 2800 entradas e 30 artigos sobre o típico e divertido linguajar tripeiro. Não se trata de uma obra parada no tempo. Os termos e as expressões apresentadas vêm desde o passado até à forma de comunicar nos nossos dias, dos vocábulos populares, à gíria urbana da cidade do Porto.  Além do significado respetivo, o autor acrescenta em muitos desses registos uma esclarecedora fundamentação sociolinguística e etimológica. 

Um reparo à omissão de qualquer bibliografia, como mandam as regras neste tipo de obras de temática não original e com vários livros já publicados anteriormente – como  são os casos, entre outros, de Porto, Naçom de Falares,

<i>Lugares e Palavras do Porto</i>
Por João Carlos Brito

Lugares e Palavras do Porto é uma obra que, sob a coordenação de João Carlos Brito, pretende mostrar as gentes e os lugares da Cidade Invicta e, mais do que isso, pretende mostrar o património linguístico do Grande Porto. Para isso, propõe-se ao leitor uma viagem através de «estórias, memórias, imagens e poemas» e a consulta de um dicionário de “portoguês” que contém mais de 2500 palavras e expressões dos falares do Porto.

Apesar da importância dada às histórias, poemas e imagens que nos transportam para a cidade do Porto, é o dicionário o grande destaque do livro. Neste dicionário, da autoria do coordenador da obra, selecionam-se as expressões e as palavras que estão associadas à identidade tripeira, como por exemplo, tótil, que significa «muito», guna, que é o «nome dado a grupo tribal citadino», ou morcão, que significa «estúpido; lorpa». Contudo, não podemos assumir que a lista de palavras e expressões se associa somente aos falares do Grande Porto, porque o leitor, ao consultar a lista, encontrará expressões que são comuns a todos os falantes de língua portuguesa, nomeadamente «quando as galinhas tiverem dentes» e desatinar, que significa «perder a calma e o bom senso». Este facto deve-se às marcas linguísticas que tendem a generalizar-se com o auxílio da comunicação social, das TIC e com a migração populacional que leva na bagagem um vasto património linguístico.

Fica a sugestão: se lhe interessa saber "tótil" de “portoguês”, leia este livro, não seja "morcão".