Pergunta:
Apresento aqui uma resposta à pergunta sobre curibeca.
Em Angola, e ainda no período colonial, esta palavra designava a maçonaria. Já naquela altura se grafava kuribeka, e realço a letra k. Claro que oficialmente não existia a letra k, mas como a palavra tem origem banta não era estranho.
O mesmo se passava com jinguba («amendoim»), com origem no idioma kimbundu e que, pelas regras portuguesas se escreve ginguba.Qual a língua nacional angolana que deu origem ao nome eu não tenho a certeza. Tanto pode ser o umbundu como o kimbundu.
Eu sou do sudoeste de Angola onde o umbundu tem alguma influência. Sendo assim é possível a sua origem no umbundu?
Agora, e com toda a certeza, estamos perante uma palavra de origem banta e não de origem incerta, duvidosa ou obscura. Os etimologistas devem confessar a sua ignorância quando não sabem. Este tipo de atitude soa, um tanto a racismo etimológico.
Obrigado!
Resposta:
Agradece-se o comentário do consulente.
As notas etimológicas dos dicionários que as incluem (p. ex., Dicionário Houaiss) apresentam a expressão «origem obscura» associada a uma palavra cuja etimologia precisa não é possível determinar.
É muito raro que nessas notas etimológicas se refira a família linguística onde uma dada palavra se enquadra. Por exemplo, não se costuma indicar que uma palavra vem da família indo-europeia, afro-asiática ou banta. O que é frequente é indicar uma língua ou um ramo linguístico mais concretos.
Quando não há dados que permitam identificar o ramo concreto ou a língua exata donde provém o étimo da palavra, emprega-se a expressão «origem obscura», que se aplica a palavras usadas por qualquer grupo étnico, desde as populações de África aos povos da Europa, passando pela Ásia, Américas e Oceânia.