Pergunta:
Embora seja comum usar o vocábulo aquando como fazendo parte de uma alegada locução adverbial (Caldas Aulete), a verdade é que, classificando-a apenas como conjunção, o primeiro dicionário que encontrei e que o menciona é o de Cândido de Figueiredo, atribuindo-lhe os significados de ao mesmo tempo que, quando.
No meu tempo de jovem, se bem me lembro, os populares usavam o termo aquando seguido do artigo (o/os, a/as). Gostaria de saber se consideram um erro o uso do artigo (aquando a) em vez da preposição (da), ou não passará de uma escolha um pouco ao sabor da moda. Se for possível, rogo também o favor de indicar uma qualquer página de um qualquer livro em que Camilo, Aquilino ou algum outro autor clássico, dos que honram a nossa língua, apliquem essa expressão.
Obrigado pela atenção e pelo precioso serviço a que nos habituaram.
Resposta:
O uso de aquando sem preposição está correto, como também é legítimo e – pelo menos, hoje – mais corrente o emprego de «aquando de».
Relativamente às fontes indicadas na consulta, convém assinalar que no dicionário de Caldas Aulete se regista aquando não só como locução adverbial, mas também como conjunção, o que parece não aplicar-se ao caso em apreço. Também o registo no dicionário de Cândido de Figueiredo não parece ir ao encontro do uso de aquando, com ou sem de, antes de expressão nominal; com efeito, a definição da entrada de aquando nesta fonte resume-se a indicar que se trata de « conj. pop. Ant. Ao mesmo tempo que. Quando», o que significa que se contempla o emprego de aquando a introduzir oração, mas não a introduzir uma expressão nominal (ou, se quisermos, noutro tipo de terminologia, um sintagma nominal como acontece em «aquando a Restauração»).
Se o uso de aquando que aqui se discute é o associado a uma expressão nominal, então tem de se pensar numa preposição ou uma locução prepositiva.
Facultando registos de aquando como preposição, conta-se o Tratado de Ortografia da Língua Portuguesa (1947, p. 246) e o Vocabulário da Língua Portuguesa (1966), nos quais o autor, o filólogo Rebelo Gonçalves, exibe «aquando de» como locução prepositiva. É de notar que, nestas fontes, o que se regista é «aquando de», como locução, e não aquando, como preposição.
O gramático prescri...