Pelourinho A vírgula (obrigatória) no vocativo «Fica connosco Sócrates!”», titulava o jornal “24 Horas” na sua edição de 22 de Junho p.p., numa referência ao primeiro-ministro português. Faltou a vírgula entre as palavras «connosco» e «Sócrates», pois a palavra «Sócrates» é um vocativo. Um dos casos de utilização obrigatória da vírgula é precisamente aquele em que ela tem a função de isolar o vocativo: «Meninos, viram onde eu pus o relógio?», «Vem connosco, Maria.», «Minha querida mãe, que bom ouvir as tuas palavras!» Maria Regina Rocha · 27 de junho de 2006 · 4K
Pelourinho «Eu fui um dos que desapareceram (…)» «Eu fui um dos que desapareceu (…)»,contou o que lhe acontecera num programa de ilusionismo José Carlos Malato, o apresentador do concurso da RTP 1, “A Herança.”1 O apresentador foi um daqueles que desapareceram. Desapareceram vários, e ele foi um deles. A expressão «um dos que» pede uma forma verbal no plural, pois o sujeito é o pronome “que” relativo a “dos” (de + os = daqueles): «Eu fui um dos que desapareceram (…)». Maria Regina Rocha · 27 de junho de 2006 · 3K
Pelourinho Saem e não “saiem” «Os remédios na farmácia (…) saiem mais caros do que no Continente.»2 Saem: assim se escreve correctamente a 3.ª pessoa do plural do presente do indicativo do verbo sair. É frequente este erro, devido à tentativa de representação escrita do que se ouve. Outras formas verbais com o mesmo tipo de terminação: caem, atraem, contraem, distraem, subtraem, traem. Maria Regina Rocha · 22 de junho de 2006 · 44K
Pelourinho A regra geral do uso do infinitivo pessoal ou flexionado «Moscovo apelou aos sequestradores de quatro russos para não os executar.»1 A utilização do infinitivo pessoal ou flexionado (executar eu, executares tu, executar ele, executarmos nós, executardes vós, executarem eles) é objecto de alguma dificuldade. Para a ultrapassar, veja-se a regra geral: no caso de uma frase em que haja duas acções, se o sujeito for diferente, deverá usar-s... Maria Regina Rocha · 22 de junho de 2006 · 10K
Pelourinho «Vivam os estagiários!» «Viva os estagiários» era um título na rubrica “Quentes & Boas” do jornal “24 Horas”1, da responsabilidade de Gracinha de Sousa Botelho. Primeiro erro, de concordância: tal como o sujeito («os estagiários»), também o verbo («viver») vai para o plural. Segundo erro: a frase tem de terminar com um ponto de exclamação. Portanto: «Vivam os ... José Mário Costa, Maria Regina Rocha, Rui Gouveia · 21 de junho de 2006 · 3K
Pelourinho «Passa a haver» Pior – pior, porque se trata da televisão pública portuguesa, com suplementares obrigações na defesa da língua – foi o erro cometido pelo mesmo jornalista, na véspera. «Passam a haver menos carros da Brigada de Trânsito nas principais auto-estradas do país», anunciou, em mais um atropelamento do verbo haver... José Mário Costa, Maria Regina Rocha, Rui Gouveia · 21 de junho de 2006 · 6K
Pelourinho Trindade, em português; Trinidad, em castelhano «O Suécia-Inglaterra – lembrava no próprio dia do jogo o apresentador do “Jornal da Tarde” da RTP-1 – começa às 20 horas. Os nórdicos ainda não garantiram o apuramento, mas têm a tradição como aliado.» E, de seguida, lá veio o escusado e recorrente espanholismo: «O outro jogo do mesmo grupo [do... José Mário Costa, Maria Regina Rocha, Rui Gouveia · 21 de junho de 2006 · 3K
Pelourinho Melhor aprendiza de dança... Sílvia Alberto, apresentadora do concurso “Dança Comigo”, da RTP-1 1, referindo-se ao professor de dança e a ela própria: «... o mestre e a sua aprendiz...» Sendo certo que a Sílvia não deve ter dúvidas quanto ao seu género, conclui-se que é melhor ... João Alferes Gonçalves (1944 — 2023), Maria Regina Rocha · 19 de junho de 2006 · 4K
Pelourinho O Opus Dei, a Obra de Deus A propósito da estreia mundial do filme O Código da Vinci, voltou a ouvir-se a troca do género do nome Opus Dei. É o Opus Dei, e não “a” Opus Dei. Preferindo-se em português, então, sim, é a Obra de Deus. José Mário Costa, Maria Regina Rocha · 18 de junho de 2006 · 1K
Pelourinho Sobre o infinitivo (mal) flexionado Outro erro recorrente é o infinitivo (mal) flexionado. Veja-se este exemplo, do mesmo jornal: «Os dois demoraram mais de seis horas a arranjarem-se.» Deveria ter sido escrito «os dois demoraram (…) a arranjar-se. O infinitivo «arranjar-se» está ligado à forma verbal «demoraram» pela preposição «a». Nestes casos, o infinitivo não flexiona: «Eles demoraram a descer», «elas andam a ler»,... José Mário Costa, Maria Regina Rocha · 16 de junho de 2006 · 4K