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Textos de investigação/reflexão sobre língua portuguesa.

Ainda à volta do significado dos provérbios «Tantas vezes vai o cântaro à fonte...» e «Quem te manda a ti, sapateiro, tocar rabecão?», deixamos aqui uma reflexão de Maria Regina Rocha, que fica como complemento de uma anterior resposta.

 

A compreensão plena dos provérbios exige dois passos: em primeiro lugar, o esclarecimento do seu significado literal e, depois, a sua interpretação, isto é, a compreensão do que se pretende dizer com essa sentença ou esse dito.

«Inicialmente, podemos olhar Memorial do Convento como um exercício retórico, como uma narrativa histórica, com personagens magníficas, ou não, mas à medida que o tempo passa por mim, vejo esse livro como O Livro, não só de <a style="font-style: italic;" href="http://josesaramago.blogs.sapo.pt/240431.html" targe...

A repetição de dois sinais de dois pontos na mesma frase é ou tem sido possível, pelo menos, em textos literários, embora se trate de um uso muito marginal que a maioria dos prontuários, das gramáticas de referência ou dos guias gramaticais não chega a mencionar1. Há, no entanto, algumas pistas históricas que permitem um juízo normativo mais consistente.

Na frase «Estava precioso: tinha fígado e tinha moela: o seu perfume enternecia: três vezes fervorosamente, ataquei aquele caldo.», o uso dos dois pontos não segue a norma.

A obra A Cidade e as Serras foi publicada em 1901, um ano após a morte de Eça de Queirós, que faleceu antes de ter conseguido fazer a revisão total das provas desta obra. Assim, embora na primeira edição a pontuação da frase seja a que é acima transcrita, há edições em que a frase apresenta a seguinte pontuação:


Todo mundo aceita que ao homem

cabe pontuar a própria vida:

que viva em ponto de exclamação

(dizem: tem alma dionisíaca);


viva em ponto de interrogação

(foi filosofia, ora é poesia);

viva equilibrando-se entre vírgulas

e sem pontuação (na política):


o homem só não aceita do homem

que use a só pontuação fatal:

que use, na frase que ele vive

o inevitável ponto final.


«A língua é um bem simbólico e parte do património imaterial de um povo certo de que a noção de bem se desdobra em dois sentidos: um sentido jurídico-económico, que sublinha o princípio da riqueza ou do ativo a preservar e a valorizar; um sentido ético-axiológico, que acentua no bem a sua condição de fator de enriquecimento humano, comunitário e identitário (de certa forma e em resumo: fator de felicidade)», defende o professor <a style="font-style: itali...

Marcelo Rebelo de Sousa, no seu habitual espaço dominical de comentário na TVI, acusou o líder do PS de ter feito uma «

Ainda sobre o que se vai ouvindo e lendo, vale a pena voltarmos à conjugação do verbo reunir, na forma pronominal ou não, e com complemento introduzido pela preposição com.

Vejamos este caso concreto:

«A administração reuniu-se com os funcionários» ou «reuniu com os funcionários»?

A construção correta é «reuniu-se com os funcionários».

A dicotomia correto/incorreto tem sido uma questão amplamente debatida na literatura, encontrando defensores, mas também muitos opositores.

De um lado, situam-se os normativos, puristas da língua, cuja correção linguística decorre do rigoroso cumprimento da norma escrita, fundada no exemplo dos clássicos da literatura. De outro lado, situam-se os linguistas descritivos, que privilegiam a variação linguística, com base na frequência do uso e cuja máxima é «o povo é quem faz a língua». (...)

Enquanto o dicionário Priberam recolhe já – e bem! – a forma aportuguesada nicabe, o véu muçulmano usado pelas mulheres, nem a Infopédia nem o Aulete o registam, ainda. Quanto aos jornais portugueses e brasileiros...