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Textos de investigação/reflexão sobre língua portuguesa.
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A troca do pronome reflexo me por se na letra de uma composição do cantor angolano Yuri Cunha, comentada por Edno Pimental, na coluna "Professor Ferrão", do jornal Nova Gazeta, de 14-03-2013.

 

Começou uma hora mais tarde, como já é habitual, todos querem ir à festa, mas ninguém quer ser o primeiro a chegar. Desta vez, ela quis fazer diferente e decidiu começar o boda* com os dez convidados que estavam presentes.

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Edno Pimentel  

As particularidades do português de Angola passam a ter um espaço próprio em O Nosso Idioma através da colocação em linha das crónicas do "Professor Ferrão", assinadas por Edno Pimentel e publicadas no jornal Nova Gazeta, de Luanda. Neste primeiro texto apresentado no Ciberdúvidas, o tema é o verbo manter, usado em Angola como sinónimo de contrair uma relação conjugal, ou seja, de casar.

 

– Nunca mais te vi. Pensei que já manteste!

– Adivinhaste. Já manteu mesmo.

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Desprezamos muitas vezes, por puro snobismo linguístico, os nossos regionalismos. Alguns deles verdadeiras pérolas de economia e de expressividade. Tudo em prol de uma língua formatada, uniformizada. Igual no Minho e no Algarve.

Jorge Miranda  

«Serão (… ) cumpridas as obrigações constitucionais e respeitado o direito à identidade linguística dos cidadãos portugueses?» A pergunta e resposta, inquieta, neste artigo de Jorge Miranda, publicado no jornal Público de 9-02-2023.

1.  A par das liberdades culturais (arts. 37.º, 38.º, 42.º e 43.º) e dos direitos de acesso aos bens de cultura (arts. 73.º e segs.), pode falar-se, na (…)  Constituição [portuguesa], de direitos à identidade cultural, desdobrados em três categorias:

Um poema que gira à roda da ortografia, da importância das maiúsculas iniciais de determinadas palavras, realçando a relação entre grafia e semântica e evidenciando o seu valor expressivo. A escrita poética do brasileiro Drummond de Andrade alerta para a força da marca gráfica como fator de distinção («Distinção») para o sujeito poético e para o leitor.

 

O Pai se escreve sempre com P grande

em letras de respeito e de tremor

se é Pai da gente. E Mãe, com M grande.

O Pai é imenso. A Mãe, pouco menor.

É mais fácil sermos surpreendidos negativamente pela forma como a língua portuguesa é tratada nos media do que o inverso. Mas quando isso acontece há que enaltecê-lo. Num artigo de Paulo Rangel, no Público, de 23 de outubro de 2012, na coluna intitulada Palavra e Poder, e a propósito do plano de assistência financeira a Portugal, pode ler-se:

«O que se requer ao insulto para ser arte é elevação, e a única via que eleva é o apuramento da linguagem. Dizer de certo sujeito que é «alcançadíssimo de inteligência» ou que o caracteriza «extrema parcimónia das faculdades mentais» é melhor do que chamar-lhe idiota: não apenas tem graça como suplanta o sentimento de caridade pelos menos afortunados, facilitando a apreciação da frase em si mesma, sem consideração do efeito que venha a produzir no visado. O desprezo da linguagem é que por ...

«A palavra previsão utilizada na economia é, aliás, digna de análise. Prever é ver antes, coisa que (salvo em casos de bruxaria) se realiza pelo método científico: certos fenómenos quando ocorrem em determinadas condições ou ambientes têm consequências que se podem antever. Os economistas e as suas instituições podiam preferir outras palavras: «estimativa», por exemplo; ou «projeção»; ou, para serem totalmente honestos, apenas «palpite».[…] Se a palavra fosse palpites, talvez...

Em Portugal, está-se nos antípodas, por exemplo, dos EUA ou do Reino Unido – onde qualquer pessoa tem consagrado o direito a aceder a informação clara e concisa, de interesse público. «É o terreno ideal para [qualquer] político (...) fazer florescer a sua inventividade linguística, que ora lhe serve para fazer um pouco de demagogia, ora para esconder estragos.» In jornal Público de 10 de novembro de 2012, que a seguir se transcreve na íntegra.

Nesta semana, no caderno Economia do Expresso (n.º 2087, 27 de outubro de 2012, p. 30), dei de caras com urbescópio, um termo que obviamente não está dicionarizado. O urbescópio é uma peça de mobiliário urbano, de sinalética urbana, metálica, composta por uma base encimada por uma espécie de tubo circular, que direciona o olhar para um ponto-alvo na cidade, um monumento, um edif...