Os videojogos e os seus anglicismos escusados - O nosso idioma - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
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Os videojogos e os seus anglicismos escusados
Os videojogos e os seus anglicismos escusados

É cada vez maior a dependência dos videojogos, uma situação não exclusiva das camadas mais jovens, como se sabe. Há muito que os psicólogos estão a alertar para este facto, considerado muito preocupante.

Recentemente, a OMS [Organização Mundial de Saúde] declarou a dependência em videojogos como um problema de saúde mental, situação que foi aplaudida pela comunidade médica.

Os videojogos trouxeram consigo termos estrangeiros que têm sido difundidos pelos media. Os e-sports e ou e-games não surgem só nos órgãos de comunicação social portugueses, como também brasileiros, espanhóis, franceses e de outros países. Há expressões alternativas a estes anglicismos, tais como, desportos eletrónicos, em vez de e-sportsvideojogos, em vez de e-games, mas também comércio eletrónico, em vez e-commercecorreio eletrónico, em vez de e-mail, ou saúde eletrónica (ou cibermedicina), em vez de e-health.

Não obstante, se se continuar a optar pelos termos ingleses, é recomendável que estes se registem em itálico e com hífen, a citar, e-sports, e-games, e-commerce, e-health, e-marketing [marketing é um termo que já foi dicionarizado, pelo que não é necessário registar em itálico; contudo, e-marketing não está dicionarizado na língua portuguesa], etc, pois são estas que são reconhecidas pelos Dicionários de Cambridge e Oxford

Nestes dicionários, porém, o anglicismo e-mail correio eletrónico, em português –  não se encontra separado com hífen, assim como em muitos outros dicionários de língua inglesa, apesar de, em português, estar dicionarizado no Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia das Ciências de Lisboa, no Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, no Dicionário UNESP do Português, organizado por Francisco S. Borga, Editora UNESP, 2004, página 469 e no Dicionário Houaiss, de Antônio Houaiss, Mauro de Salles Villar, Francisco Manoel de Mello Franco, Editora Objetiva, Rio de Janeiro, 2009, 1.ª edição, página 731 como e-mail, em itálico e com hífen, indicando que esta palavra tem origem no inglês e-mail [com hífen]. A Academia Brasileira de Letras aconselha, também, que a forma preferencial de registo deste termo seja e-mail.

Sobre o autor

Mestre em Teoria da Literatura (2003) e licenciado em Estudos Portugueses (1993). Professor de língua portuguesa, latina, francesa e inglesa em várias escolas oficiais, profissionais e particulares dos ensinos básico, secundário e universitário. Formador de Formadores (1994), organizou e ministrou vários cursos, tanto em regime presencial, como semipresencial (B-learning) e à distância (E-learning). Supervisor de formação e responsável por plataforma contendo 80 cursos profissionais.