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O nosso idioma // Português do Brasil vs. português europeu

Cavaqueira ou bate-papo

Palavras «de cá e de lá», ou «daqui e de lá», para exprimir o elogio

Encontrei recentemente o meu amigo Fernando numa pastelaria (lanchonete). Enquanto tomávamos um café, começámos (começamos) a falar sobre a forma como portugueses e brasileiros elogiam algo ou alguém. Acabámos (Acabamos) a cotejar (cotejando) palavra a palavra, tantas expressões que cá (aqui) e lá se usam para enaltecer.

Comecei por constatar que, se fosse eu, Carla, portuguesa de gema, a avaliar um projeto de sucesso, diria, por certo, «Muito bem! Bestial!».

Já o Fernando esclareceu que um brasileiro diria algo como «Que demais!» ou «Que da hora!».

Ocorreu-me depois (para ele, «Me ocorreu») que em português de Portugal também poderia ter exclamado «Gosto imenso desta notícia!». Seria um pouco mais formal, é verdade, mas também expressaria emoção.

Já o Fernando esclareceu-me que um brasileiro não usaria o verbo gostar, preferiria o verbo adorar e exclamaria com toda a naturalidade «Adorei essa notícia!»

Pensei, de seguida, que, se eu fosse um adolescente ou um jovem que quisesse elogiar, iria utilizar expressões muito diferentes das escolhidas pelos adultos. Da boca da malta (galera) jovem portuguesa pode ouvir-se o elogio por meio de expressões como «Bué fixe!», «Bué da nice!», «Espetáculo!», «Boa! Bora prà frente!», «Ganda cena!», «Top!»…

Espantem-se (ou não), os jovens no Brasil também têm o seu jargão. Lá poderíamos ouvir expressões como «Irado!», «Massa!», «Show!», «Bora! É nóis!», «Show de bola!», «Topzera!»...

E se quiséssemos fazer um elogio num contexto muito formal? Como seria? Em Portugal (e no Brasil), num contexto mesmo (realmente) muito formal, as opções seriam diferentes das de cima. Em Portugal, usaríamos formulações menos emotivas e mais contidas, como «Os meus sinceros parabéns pelos resultados», «Gostaria de enaltecer o feito aqui referido» ou até, num tom quiçá mais político, «É de elementar justiça reconhecer os resultados da iniciativa popular».

E, afinal, no Brasil também usaríamos as mesmas expressões. Na formalidade raramente nos distinguimos.

Tantas vozes, tantas maneiras de dizer, com tantos sotaques e tantos caminhos pela língua. Afinal, cá (aqui) e lá, a língua portuguesa encontra o caminho para o elogio.

A gente sempre dá um jeito. Os tons das cores é que podem ser diferentes.

ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa