A Estremadura lidera o ensino de português em Espanha
Cerca de 20 000 pessoas em todos os ciclos de escolaridade
«É uma das cinco regiões nas quais o estudo de uma língua estrangeira se estende a todos os alunos entre os 3 e os 6 anos.»
A Estremadura lidera o ensino de português em toda a Espanha. É a única comunidade em que este idioma se situa acima do francês nos seis anos do Ensino Primário e na qual avança de forma notável nos quatro anos do Ensino Secundário Obrigatório (ESO), segundo os últimos dados publicados pelo Ministério da Educação.
Enquanto no resto do país a opção de segunda língua estrangeira no Ensino Primário é monopolizada de forma quase absoluta pelo francês, nas salas de aula estremenhas, o panorama muda por completo e o impulso do idioma do país vizinho [português] marca a diferença.
O estudo confirma que o inglês continua a ser a língua maioritária nas etapas obrigatórias e pós-obrigatórias. Mas, na hora de estudar uma segunda língua, o português ganha protagonismo na Estremadura.
Na região, face aos 14% de média nacional, 25,8% dos alunos matriculados no Ensino Primário decidem estudar uma segunda língua estrangeira, para além do inglês. Na Estremadura, face aos 12% que optam pelo francês, 13,7% escolhem «outras línguas», uma percentagem que no resto das comunidades não atinge sequer 1%. No caso da região, a escolha recai sobre o português.
A Estremadura absorve a grande maioria dos alunos de língua portuguesa de toda a Espanha. Graças a programas autonómicos específicos, mais de metade dos estudantes que escolhem uma segunda língua optam pelo idioma português. Uma liderança que está em alta no ESO.
Nesta etapa educativa, 37,7% dos alunos do país estudam uma segunda língua estrangeira. Na Estremadura, o valor é de 41,2% e, embora 22,9% deles estude francês, 18,3% já cursa português.
Plano Portugal
A Andaluzia e a Galiza são as únicas duas regiões que registam dados estatísticos significativos de aprendizagem de português, mas a grande distância da Estremadura. A Galiza impulsiona-o principalmente em províncias fronteiriças como Pontevedra e Ourense por afinidade linguística, e a Andaluzia conta com programas específicos na província de Huelva. No entanto, o seu peso relativo dentro dos seus sistemas educativos autonómicos é residual (inferior a 3% do total dos seus alunos do Ensino Secundário).
Por trás do avanço estremenho está o conhecido Plano Portugal, que arrancou há mais de uma década na região, com os seus mais de 11 000 estudantes, e foi impulsionado de maneira notável após o acordo em 2018 entre o Camões ─ Instituto da Cooperação e da Língua e a Junta da Estremadura para a sua consolidação. Sem esquecer que a própria lei da Educação da Estremadura, que fixa este idioma como segunda língua estrangeira, «estabelece especificamente que a Junta adotará medidas efetivas a fim de que o português seja» considerado como tal «nas escolas financiadas com fundos públicos».
Segundo dados da Junta, estima-se que cerca de 25 000 pessoas estudem português na região, de modo que 3 em cada 4 pessoas que estudam esta língua em Espanha o fazem nesta região.
Para além dos 11 000 alunos do Plano Portugal, participam mais de 2600 estudantes no Programa de Língua e Cultura Portuguesa, que conta com professores portugueses que dão aulas em centros educativos da Estremadura.
A região conta também com mais de 5400 estudantes que aprendem a língua portuguesa como segunda língua estrangeira e é a única que dispõe de secções bilingues de português, atualmente três. Nas Escolas Oficiais de Idiomas e nas salas de aula adstritas, mais de 1200 pessoas aprendem a língua portuguesa.
Em qualquer caso, seja francês, português ou outro idioma, o ESO é a etapa em que o estudo de uma segunda língua estrangeira está mais consolidado.
A radiografia da educação na Estremadura mostra uma evolução muito desigual na aprendizagem de línguas estrangeiras, consoante a idade dos estudantes. Os últimos dados publicados pelo Ministério da Educação revelam que a imersão num segundo idioma opcional perde força de maneira drástica na região à medida que os jovens se aproximam das portas da universidade.
Deste modo, se 25,8% dos alunos do Ensino Primário estudam um segundo idioma e a percentagem sobe para 37,7% no Secundário (ESO), o Bachillerato (etapa pré-universitária) desce para 16,1%. Uma descida que ocorre de forma generalizada no conjunto do país, onde apenas 13,6% em média cursam uma segunda língua estrangeira nesta etapa pós-obrigatória.
A implementação do inglês
A tendência de crescimento quebra-se de forma brusca às portas do ensino superior porque a alta carga de disciplinas específicas das áreas de ciências ou tecnologia acaba por retirar espaço letivo às matérias linguísticas opcionais na reta final do ensino secundário.
A percentagem de alunos que frequenta uma segunda língua estrangeira na Estremadura cai 21,6 pontos percentuais ao passar do ESO (37,7%) para o Bachillerato (16,1%), devido principalmente à rigidez do sistema académico e à concorrência de disciplinas optativas com matérias técnicas da Selectividad (exames de acesso à universidade). Esta diminuição responde à estratégia estudantil de priorizar as disciplinas com maior ponderação para o acesso à universidade, somada às dificuldades das escolas em consolidar turmas nos anos superiores.
Mas a implementação da primeira língua estrangeira está mais do que consolidada na região. Não só porque a sua cobertura é de 100% no Ensino Primário e no ESO e roça esse valor no Bachillerato, mas porque a Estremadura é uma das seis comunidades autónomas do país nas quais a totalidade dos alunos do segundo ciclo da Educação Infantil, isto é, crianças dos 3 aos 6 anos, estuda inglês. Acompanham-na as Canárias, Cantábria, Castela-La Mancha, Galiza e Madrid. A média situa-se nos 84%, segundo os últimos dados publicados pelo Ministério sobre estatísticas em ensinos não universitários.
Mais de 30% das escolas públicas da região participam em programas bilingues ou plurilingues. Ciências da Natureza, Ciências Sociais e Educação Física continuam a liderar a lista de disciplinas lecionadas em inglês.
Na imagem no topo, mapa com a localização da comunidade autónoma da Estremadura espanhola (crédito: Wikipédia, 17/07/2026).
Tradução nossa do artigo publicado originalmente no jornal espanhol El Periódico Extremadura, em 25/05/2026.
