Antologia // Portugal A «contextura», um conceito polémico no século XIX Segundo o ensaísta António Feliciano de Castilho, é na sintaxe que se encerra o «génio» da língua. As leis que comandam as conexões entre as formas elementares do idioma são, não apenas de difícil revogação, senão mesmo garantia de estabilidade das marcas distintivas do mesmo. É, porém, no prolongamento desta coesão sintáctica que se estende um domínio ainda mais individualizante, e por isso exactamente de maior melindre. Denomina-o Castilho, com outros autores, umas vezes «construção», outra... Fernando Venâncio (1944-2025) · 4 de julho de 2001 · 4K
Antologia // Portugal Os falsos plurais Com as novas técnicas de fertilização, certas palavras passaram ao plural. Exemplos «Já se disse tudo, mas como ninguém ouve, é sempre necessário recomeçar.» Esta frase de André Gide costumava abrir uma das secções da Critério, publicação relativamente periódica que saiu entre Novembro de 1975 e Novembro de 1976. Ao todo foram oito números: os primeiros seis dirigidos por João Palma-Ferreira e Alexandre O'Neill, escritores que nos andam a fazer falta (contentemo-nos co... Francisco Belard · 20 de março de 2001 · 7K
Antologia // Portugal Palavra 1.Apetece dizer uma palavra misteriosaapetece dizer uma palavrapode ser a incognoscível palavra rosaou a terrível palavra abracadabraapetece dizer uma palavra lavra lavra.Pode ser a palavra papode ser a palavra palapode serpode ser apenas a palavra2.Belveder Elsenor AbdelkaderPedra que grita olho que fitaapetece morrer apetece viver apetece escrevera palavra esquisitaa finita infinita palavra ser. Manuel Alegre · 30 de novembro de 1999 · 3K
Antologia // Portugal A Queda da Língua Os jornais multiplicam-se em opiniões sobre a degradação da língua. Uma nação a cair – e a nação portuguesa sem um Estado digno do nome dificilmente evita uma crise grave – inclui uma língua a degradar-se. A ordem dos factores é essa. Seguindo a França, Portugal pretendeu ser também feito de palavras. São estas que estão a perder-se, a perder o rigor, tal como acontece aos portugueses. Victor Cunha Rego · 8 de novembro de 1999 · 6K
Antologia // Brasil Pela unidade da língua no Brasil Machado de Assis queria que a Academia servisse sobretudo para «conservar no meio da federação política a unidade literária». Ninguém serviu melhor a esse ideal do que Araripe Junior. Devemos atentar nisto com o maior cuidado. A federação política está feita, embora ande por aí adulterado e claudicando o pensamento constitucional que marcou no Brasil essa forma de vida, que os espíritos mais adiantados do Império, nos últimos tempos deste, já namoravam, desiludidos de corrigir a atrofia... Félix Pacheco · 22 de abril de 1999 · 4K
Antologia // Brasil Sobriedade e ênfase O estudo científico, ou a filologia moderna, tem revelado novos aspectos gerais, que podem ser adaptados ao nosso vernáculo. Nem sempre o que foi dito pelos clássicos é absolutamente puro; e podemos opor-lhes o nosso critério para o que for consentâneo e justo à inteligência da linguagem. Quer no aspecto etimológico, sintáctico, ou semântico, as modificações hão-de surgir naturalmente no conceito dos povos acerca dos factos idiomáticos. António Austregésilo · 25 de março de 1999 · 3K
Antologia // Portugal Língua de acção A linguagem de Camilo não é tanto a língua portuguesa genuína e opulentada de todos os vocábulos que uma retentiva paciente é capaz de ir colher aos vernaculismos do povo e das bibliotecas, como o instrumento vivo e acirrante dum espírito de artista que, por profundo e multíplice, houve mester, como os órgãos das catedrais, de exprimir por tubos de cobre a potência orquestral da sua voz. Fialho de Almeida · 12 de março de 1999 · 4K
Antologia // Portugal Língua remendada «Pelo pouco que lhe que [os] seus naturais» « Para falar, [a linguas portuguesa] é engraçada, com um modo senhoril; para cantar, é suave, com um certo sentimento que favorece a música; para pregar , é substanciosa, com uma gravidade que autoriza as razões e as sentenças; para escrever cartas, nem tem infinita cópia que dane, nem brevidade estéril que a limite; para histórias, nem é tão florida que se derrame, nem tão seca que busque o favor das alheias», escreve Franciso Rodrigues Lobo (1580 — 1621) neste extrato da obra Corte na Aldeia, em louvor do idioma nacional e contra «o pouco que lhe querem [os] seu naturais, a trazerem mais remendada que capa de pedinte» Francisco Rodrigues Lobo · 25 de fevereiro de 1999 · 5K
Antologia // Portugal Qualidades e defeitos da linguagem A linguagem tem qualidades que devemos cultivar e defeitos que é forçoso evitar. Entre as qualidades avultam a pureza, correcção, clareza, eufonia, precisão, propriedade, harmonia, conveniência, dignidade e ordem. Por pureza entende-se a conformidade da linguagem com a índole da língua. Nesse sentido, necessário se torna que usemos apenas palavras da própria língua e autorizadas pelo uso dos que bem a falam, e procuremos que as frases e orações sejam construídas de harmoni... Eduardo Pinheiro · 11 de fevereiro de 1999 · 26K
Antologia // Portugal D. João I e a independência do Português O "ar de família" com o castelhano e... nada mais «[Foi] D. João I, o eleito do povo e o mais nacional de todos os reis [portugueses], [que] deu ao idioma pátrio valente impulso, mandando usar dele em todos os actos e instrumentos públicos, que até então se faziam em latim», recorda Almeida Garrett neste apontamento, transcrito da antologia Paladinos da Linguagem, (1.º vol., Aillaud e Bertrand, Lisboa, 1921). Almeida Garrett · 4 de fevereiro de 1999 · 4K