Antologia // Brasil O valor das palavras Forjam-se neologismos todos os dias, e o pior é que nem sempre se podem gabar de felizes as novas criações. Topa-se agora com frequência nos noticiários do jornalismo o desgracioso verbo solucionar. Escreve um localista numa folha séria, sisuda, circunspecta e grave: "No propósito de solucionar simultaneamente a questão em todos os seus prismas, parece conveniente que o Congresso autorize o Governo a confiar o estudo deste assunto a um jurisconsulto de reconh... Mário Barreto · 19 de setembro de 1997 · 8K
Diversidades Os Descobrimentos e eu... (3) A presença portuguesa não deixou somente marcas léxicas em Goa. Ficaram topónimos, embora raros. O bairro da aldeia de Moirá onde fica situada a minha casa ancestral é Povoação. Não pude ainda descobrir desde quando começou-se a utilizar esta designação. O bairro também retém a designação vernácula "gão", o que significa uma aldeia. Provavelmente assim se explica a tradição que lhe aponta como o primeiro povoado da aldeia, que depois se estendeu para novos bairros que se foram criando. O bai... Teotónio R. Souza (1947-2019) · 19 de setembro de 1997 · 5K
Pelourinho Eu «autêntico» uma declaração? O Instituto Superior de Novas Profissões, escola pioneira de algumas disciplinas em Portugal, não está muito atento aos seus próprios impressos. Assim, no documento com que costuma comprovar a comparência a exames dos estudantes-trabalhadores, lê-se: «...Passo a presente declaração que assino e autêntico.» Que o dono de uma pensão residencial confunda na escrita – e só na escrita! – o adjectivo «residêncial» com o substantivo residênc... João Carreira Bom · 19 de setembro de 1997 · 3K
O nosso idioma // Léxico Palavras que nasceram com a década [1974-1984] Nos 10 anos do 25 de Abril Abrangência, bipolarização, camarada, despoletar, informador, militância, operacional, partidarização, primeira-ministro, retornado, sexismo e verdes são algumas das palavras e termos mais marcantes no vocabulário comum nos dez anos decorridos do 25 de Abril em Portugal. Texto da autoria do jornalista José Mário Costa, transcrito, com a devida vénia, do semanário Expresso de 21 de abril de 1984. José Mário Costa · 15 de setembro de 1997 · 7K
Controvérsias «Holocausto» com aspas 2 Com o distanciamento próprio dos verdadeiramente sábios, o Prof. Neves Henriques coloca a questão das aspas do holocausto no seu devido lugar gramatical. Não há nada a acrescentar do ponto de vista linguístico àquilo que ele, com a sua habitual competência, defende. Duarte Calvão · 15 de setembro de 1997 · 4K
Controvérsias «Holocausto» com aspas 1 Vários comentários se podem fazer sobre o vocábulo holocausto. Vamos ao que parece que interessa: 1 - É uma palavra da linguagem bíblica, onde aparece umas 500 vezes no Velho Testamento. No Novo Testamento, aparece umas quatro. 2 - Era um sacrifício oferecido pelos judeus a Deus, no qual a vítima (um animal) era inteiramente consumido pelo fogo. 3 - Depois o vocábulo holocausto estendeu-se aos seres humanos, na situação do nosso bem conhecido auto-de-fé. José Neves Henriques (1916-2008) · 15 de setembro de 1997 · 3K
Pelourinho // Mau uso da língua no espaço público Santa ignorância Dignitário, para quem queira pensar duas vezes, diz-se das pessoas com dignidade (isto é, com posição, consideração, elevação, mérito, estima, etc.) política, social ou qualquer outra. Quem estudou português (ou a isso é obrigado por razões profissionais, caso de um jornalista e locutor) sabe que vem do latim dignitas, numa adaptação directa do francês dignitaire. Qualquer dicionário ensina isto. José Mário Costa · 15 de setembro de 1997 · 6K
Diversidades Os Descobrimentos e eu... (2) A especifidade literária indo-portuguesa inclui no seu vocabulário «chatim», «chatinar», «bouço»,«langotim», «cambolim», etc. E a língua Concani dos goeses ficou com tantas outras palavras de origem portuguesa. A conversão para o cristianismo substituiu o templo pela «igorz», «vedi» pelo «altar», «bhôtt» pelo «padri», ao mesmo tempo que o outro lado da realidade humana assumia também uma forma indo-portuguesa com «merd», «fodrichó», «fuj-da-put», e «bonk» (bom cú)! Teotónio R. Souza (1947-2019) · 12 de setembro de 1997 · 3K
Antologia // Brasil Carta a João Condé (Como e porque foi escrito "Sagarana") João Condé: Exigiu você que eu escrevesse, "manu propria", nos espaços brancos deste seu exemplar do "Sagarana", uma explicação, uma confissão, uma conversa, a mais extensa, possível — o imposto João Condé para escritores, enfim. Ora, nem o assunto é simples, nem sei eu bem o que contar. Mirrado pé de couve, seja, o livro fica sendo, no chão do seu autor, uma árvore velha, capaz de transviá-lo e de o fazer andar errado, se tenta alcançar-lhe os fios extremos, no labirinto das raíze... João Guimarães Rosa · 12 de setembro de 1997 · 7K
Diversidades Os Descobrimentos e eu... (2) A especifidade literária indo-portuguesa inclui no seu vocabulário «chatim», «chatinar», «bouço»,«langotim», «cambolim», etc.E a língua Concani dos goeses ficou com tantas outras palavras de origem portuguesa. A conversão para o cristianismo substituiu o templo pela «igorz», «vedi» pelo «altar», «bhôtt» pelo «padri», ao mesmo tempo que o outro lado da realidade humana assumia também uma forma indo-portuguesa com «merd», «fodrichó», «fuj-da-put», e «bonk» (bom cú)! Já vos contei donde vem o m... Teotónio R. Souza (1947-2019) · 12 de setembro de 1997 · 6K