Controvérsias 25 % ficou em casa, outra vez São de interesse as observações que o prezado consulente apresenta sobre a concordância do verbo em frases cujo sujeito é uma percentagem. É assunto um tanto controverso. Por vezes não é fácil apresentar regras fixas. Vejamos, então, as seguintes frases: (1) 25 por cento ficou em casa. (2) 25 por cento ficaram em casa. (3) 25 por cento da população escolar ficou em casa. (4) 25 por cento dos alunos ficaram em casa. (5) 1 por cento dos alunos ficou em casa. José Neves Henriques (1916-2008) · 25 de junho de 1998 · 3K
Antologia // Portugal As costas largas da língua Desagradecidos Portugueses, e desnaturais, são os que, por desculparem sua negligência, culpam a pobreza da língua. Bem sei que se na minha eloquência lançarem prumo, que lhe acharão poucas braças; mas nunca tão desleal serei à terra que na vida me sustém, e na morte consigo me há-de abraçar, que por me escusar a acuse, e por me livrar a condene... D. António Pinheiro · 25 de junho de 1998 · 4K
Pelourinho Evacuar indivíduos? É raro um jornalista empregar bem esta palavra, que já em latim significava «esvaziar». Quando se diz: «Foram evacuados mil portugueses da Guiné-Bissau», o que se afirma, na nossa língua, é que mil portugueses foram esvaziados. Ou seja: cada um desses portugueses foi esvaziado. Ou seja: cada um desses portugueses ficou sem entranhas. Teresa Álvares · 25 de junho de 1998 · 12K
Controvérsias 25 % ficaram em casa, outra vez * Num espaço como este, frequentado por indivíduos de instrução diversa, não me parece muito didáctica a forma como Ciberdúvidas "resolveu" o problema de concordância intitulado "25 por cento dos alunos ficaram/ficou em casa". Um ilustre professor, Fernando V. Peixoto da Fonseca, diz que é singular. Outro professor, não menos ilustre, José Neves Henriques, admite que é singular. Mas poder-se-ia ter dito algo mais esclarecedor. Afonso Peres · 19 de junho de 1998 · 6K
Antologia // Portugal Uso literário do português O uso literário do português começou pelas formas poéticas, sob D. Sancho I (1154-1211) e principalmente quando os fidalgos que regressaram de França com D. Afonso III reproduziram como moda da corte o lirismo trobadoresco, que D. Denis aproximou da tradição popular. A redacção em prosa começou pelos latinistas eclesiásticos, traduzindo em português os Evangelhos e alguns livros moralistas dos Padres da Igreja. Teófilo Braga · 18 de junho de 1998 · 4K
Antologia // Portugal Falta de estilo De uma geração de «linguareiros sem gramática e sem escova de unhas» «Falta-nos a precisão no termo exacto; falta-nos a elasticidade no giro da locução; falta-nos o rasgo pitoresco no desenho da frase; falta-nos a vibrante harmonia na orquestração do discurso. Coçamo-nos, contorcemo-nos, desarticulamo-nos, a querer dizer amor, e nunca nos chega a língua. Temos a prosa histérica, abastardada, exangue e desfalecida de uma raça moribunda.» Texto da autoria de Ramalho Ortigão (1836 — 1915 ), publicado no livro As Farpas, em coautoria com Eça de Queirós. Edição David Corazzi, tomo III, pág. 44 e ss., janeiro de 1884, in Paladinos da Linguagem, 1.º vol., Aillaud e Bertrand, Lisboa, 1921. Título da responsabilidade do Ciberdúvidas Ramalho Ortigão · 9 de junho de 1998 · 3K
Pelourinho Ministro sem calço Quando falamos português, só é aceitável o emprego de palavras estrangeiras se a necessidade de clareza o exigir. Compreende-se, por isso, que em certos casos se diga "design", embora desenho e estilo possam servir, e noutros se prefira "marketing", apesar de existir mercadologia. Esta regra obriga todos os cidadãos e, em especial, os membros do Governo. Mormente o ministro que fiscaliza se as empresas apresentam em português as instruções dos produtos.... Teresa Álvares · 5 de junho de 1998 · 3K
Diversidades O mosquito de Nietzsche Com sensibilidade, Inácio Bicalho e João P. Jorge leram-nos a sina das línguas, este mais do que aquele, num discurso ontológico. Faz sentido no actual período da História, para nos recordar a evidência esquecida de que o inglês, língua do império dominante, também há-de morrer. Diria que esta tese é oposta ao assomo do mosquito de Nietzsche. Ele, ser para nós insignificante, "imita" o anglo-saxónico, que se imagina o centro do mundo. Mas isso, afinal, quer no anglo-saxónico, quer no mosquito... Afonso Peres · 4 de junho de 1998 · 5K
Antologia // Portugal Portugueses: mestres da pronúncia A semelhança entre certas particularidades, comuns ao português e ao japonês, com igual paridade entre o português e o malaio, explicam suficientemente o fenómeno, que pareceria extraordinário, de ser a representação portuguesa dos nomes de muitas regiões da Ásia, onde estivemos e dominámos, a mais fiel às pronúncias vernáculas, entre as de todas as línguas europeias. O mesmo se pode dizer a respeito da nomenclatura da África, a sul do Equador. Aniceto R. Gonçalves Viana · 4 de junho de 1998 · 3K
Diversidades Cavês ou Cavez? Nas duas primeiras reuniões da Assembleia de Freguesia, após as eleições autárquicas de Dezembro do ano findo, foi discutida a grafia do nome da nossa terra, Cavez: uns, porque se escreve com z, Cavez; outros, porque se escreve com s e acento circunflexo, Cavês. Francisco Pereira · 1 de junho de 1998 · 5K