Para = pra - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
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Para = pra

Por vezes, na música ou noutras passagens de expressões orais, deparo-me com a dúvida: será que se deve escrever p'ra ou, em casos em que vem um outro "a" após o "para", pr'á.
É correcto escrever "para" destas formas?
Quando é que é possível o uso do apóstrofe (')?

Sérgio Bandeira Portugal 6K

O acordo ortográfico de 1945 indica que não se usa o apóstrofo «na forma sincopada "pra" (= "para")» nem «nas contracções dela com o artigo ou pronome "o, a, os, as": "prò, prà, pròs, pràs"». Este é o protocolo que neste momento rege a ortografia portuguesa – houve pequenas alterações nos anos setenta mas não interessam para o caso.

Este documento estabelece as seguintes condições para o uso do apóstrofo:

«a) Indicar a supressão de uma vogal no verso, por exigência da metrificação: "c'roa, esp'rança, of'recer, 'star, minh'alma, n'água," etc.;
b) Reproduzir certas pronúncias populares: "'tá, 'teve," etc.;
c) Indicar elisão da vogal no interior de palavras compostas cujos elementos são ligados pela preposição "de", quando essa elisão se faz invariavelmente na pronúncia brasileira e na portuguesa:
"copo-d'água" (...), "galinha-d'água, mãe-d'água, olho-d'água, pau-d'água (...), galinha-d'angola" (...), etc.;
d) Indicar a supressão da vogal de uma preposição ou contracção que antecede um título ou uma denominação, cujo primeiro elemento é o artigo definido: trecho "d'Os Lusíadas" (...), etc.;
e) Distinguir dois elementos de uma contracção ou aglutinação vocabular, se o segundo é adjectivo determinativo ou pronome, quando se lhe quer dar realce pelo uso da maiúscula inicial; "d'Ele, n'Ele, d'Aquele, n'Aquele, d'O, m'O, lh'O" (o segundo elemento com referência a Deus, a Jesus, etc.) (...);
f) Indicar a supressão da vogal final em "santo" e "santa" antes de nomes próprios do hagiológio: "Sant'Ana, Sant'Iago (...), etc.»

O documento acrescenta que também é permitido o uso do apóstrofo «para indicar a supressão da vogal "o" em formas antroponímicas, como "Nun'Álvares", "Pedr'Álvares", etc.»

Acrescenta ainda que a grafia com apóstrofo não é obrigatória [excluindo os casos contemplados nas alíneas c) e e)], coexistindo com as formas sem ele: «trecho de "Os Lusíadas", Santana, Santa Ana, Nuno Álvares», etc.

Este acordo refere também os casos em que o apóstrofo não deve ser usado. Omitindo aqueles que hoje em dia são mais óbvios, bem como o caso de «pra» («para») acima mencionado, eles são: a forma apocopada "co" e as combinações dela com o artigo ou pronome "o, a, os, as" e com o indefinido "um, uma, uns, umas" («co, coa/ca, cos, coas/cas, cum, cuma, cuns, cumas»); as reduções «plo, pla, plos, plas»; as expressões vocabulares «destarte, dessarte, homessa, tarrenego, tesconjuro, vivalma»; as elisões geralmente feitas na linguagem falada (...), que não devem figurar na escrita – «de alma, de idade, de Oliveira, de Albuquerque, de Almeida, etc.».

Francisco Costa