O verbo celebrar não seleciona complementos oracionais introduzidos por que. A sua regência é a de verbo transitivo direto que exige um complemento realizado por um grupo nominal.
Essa descrição encontra-se confirmada em várias obras de referência: no Dicionário Gramatical de Verbos Portugueses (Malaca Casteleiro, 2007), celebrar é apresentado exclusivamente com complementos nominais (celebrar um aniversário, celebrar a vitória, celebrar a missa), sem qualquer indicação de regência oracional; o Dicionário Sintático de Verbos Portugueses (Busse, 1994) descreve igualmente celebrar como verbo que seleciona grupo nominal como complemento direto, não registando construções do tipo «celebrar que» + oração; também no Dicionário da Língua Portuguesa da Academia das Ciências de Lisboa, as abonações associadas à entrada celebrar mostram apenas a seleção de grupos nominais, nunca de complementos oracionais.
Do ponto de vista sintático e semântico também entendemos que celebrar não exprime uma atitude cognitiva sobre uma proposição (como reconhecer, admitir ou lamentar), mas um ato ritual, comemorativo ou simbólico, dirigido a um acontecimento conceptualizado como entidade nominal.
Por essa razão, frases como: «celebramos que chegamos mais alto» e «celebram que estão bem» soam estranhas.
A ideia exprime-se preferencialmente, portanto, da seguinte forma: «celebramos a conquista de termos chegado mais alto», «celebramos o facto de estarmos bem» ou «celebramos mais uma vitória».