Frase imperativa e oração interrogativa indirecta - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
Frase imperativa e oração interrogativa indirecta

Uma frase pode ser de tipo declarativo, imperativo, exclamativo ou interrogativo. No entanto, as interrogativas podem ser directas ou indirectas. No caso da frase «Diz-me qual o teu nome», deverá considerar-se esta uma frase de tipo interrogativo, ou imperativo? É certo que se subentende uma questão, mas a ordem não deixa de estar lá patente. Qual das intenções se sobrepõe?

Palmira Rodrigues Professora Porto, Portugal 4K

Quando propomos uma classificação para uma dada frase, teremos de ter bem presente que fa{#c|}tores estamos, de fa{#c|}to, a considerar. Se nos detivermos nos aspectos puramente estruturais ou na construção da frase propriamente dita, então, neste caso, estamos indubitavelmente perante uma frase de tipo imperativo. A comprová-lo sublinhe-se o fa{#c|}to de a frase em análise integrar o verbo dizer no modo imperativo.

Podemos, no entanto, considerar esta frase sob o ponto de vista pragmático, isto é, tendo em conta os seus diversos usos em diferentes contextos. A frase «diz-me o teu nome», continuará a exprimir uma ordem/pedido, na sua primeira acepção; no entanto, dependendo do contexto em que for usada, pode constituir um a{#c|}to de fala indire{#c|}to correspondente a uma pergunta. Contudo, a id{#e|é}ia de "pergunta" só indire{#c|}tamente pode ser associada à frase, na medida em que não é por ela dire{#c|}tamente expressa e resulta, em grande medida, da situação de comunicação concreta e do contexto em que esta se desenrola.

Em suma: «diz-me o teu nome» é uma frase imperativa que, em contextos apropriados, pode ser entendida pelos interlocutores como um a{#c|}to de fala indire{#c|}to que corresponde a uma pergunta.

Luís Filipe Cunha
Áreas Linguísticas: Discurso/Texto; Sintaxe