DÚVIDAS

«Fiz-lhe fazer a lição»

Li num livro antigo da biblioteca que os verbos causativos e de sensação podem opcionalmente ser usados com pronomes indiretos quando o verbo seguinte tem objeto direto: «Fiz-lhe fazer a lição» a par de «fi-lo fazer a lição»; «vi-lhe cantar um tango» a par de «vi-o cantar um tango», mas simplesmente «vi-o cantar», porque aqui cantar não tem objeto. Nunca tinha ouvido falar nisso, mas gostei de saber da existência dessa alternativa.
Gostaria que os senhores fizessem algum comentário ou retificação a respeito do que lhes expus e que falassem da freqüência, se é que existe, dessa construção na língua contemporânea.
Muito obrigado mais uma vez.

Resposta

De facto, usam-se ambas as construções, mas não com qualquer verbo. Assim, «Fiz-lhe fazer a lição» é admissível (tal como «que é que eu lhe fiz?»). Já "vi-lhe cantar um tango" não está bem, como não estaria "que é que eu lhe vi?". No primeiro justifica-se o lhe como complemento indirecto (= a alguém), no segundo não, pois só há complemento directo (o = alguém: vi-o).

ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa