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Detalhe: «horrível galicismo»?

Em Português fui ensinado a dizer pormenor, em vez desse horrível galicismo do “detalhe”.

Quem mo ensinou foi Gaspar José Machado, nos idos de 1943... Será resultado dos sucessivos "acordos"??

António M. F. Meyrelles Portugal 3K

A dinâmica da língua ultrapassa necessariamente a ratificação feita pelos acordos ortográficos. A propósito desta palavra, achamos interessante apresentar opiniões diversas de estudiosos da língua:

No Grande Dicionário de Língua Portuguesa, de José Pedro Machado, da Sociedade da Língua Portuguesa, pode ler-se: «Galicismo inútil, vantajosamente substituível por minúcia, miudeza, pormenor, particularidade

No seu Dicionário de Questões Vernáculas (Livraria Ciência e Tecnologia Editora, São Paulo), Napoleão Mendes de Almeida escreveu: «Detalhe, detalhar – Já João Ribeiro a afirmar: "É galicismo muito usado...", já Vasco Botelho de Amaral a dizer: "A bem da verdade, detalhe, detalhar têm feição portuguesa" – que mais acrescentar? É realmente difícil impor a substituição em "O fato foi detalhadamente reproduzido" – "Não há detalhe que não revele o pintor" – como difícil é rejeitar a palavra quando temos talhe, entalhe. Se de "tailler" o francês fez "détailler", por que do nosso talhar não podemos fazer detalhar e os correspondentes derivados?»

Maria João Matos