DÚVIDAS

Maduro, maturo e imaturo
Gostaria que me dessem, por favor, o vosso parecer inequívoco sobre o problema de saber se se escreve "maturo" ou "maduro". De preferência, agradecia que me dissessem pelo menos qual a melhor opção (se é que ambas são válidas), sem alegar que o importante é «sentir a língua», como por vezes tenho visto respondido em perguntas de mais difícil resposta (julgo que não é o caso desta). Muito obrigado pela vossa ajuda ao longo destes últimos tempos.
A concordância verbal com a expressão «um e outro»
Na frase «olhou para um e outro lados», podem dizer-me se "lados" deve ir para o plural, ou ficar no singular? «Olhou para um e outro lado»? Muito obrigado. Aproveito para lhes dar os parabéns e manifestar-lhes a minha gratidão por terem criado este site que, não o parecendo, contribui, mais do se pensa, para falarmos e escrevermos um português digno. Saudações.
«Não se enxerga» = «não se manca»
Certa vez, numa conversa com um amigo meu, eu disse «ele não se enxerga», com o sentido de «ele não tem noção do que faz/diz». Ao que o meu amigo respondeu: «Estás a falar segundo o novo Acordo Ortográfico» – já que é um lugar-comum dizer-se que escrever no novo Acordo Ortográfico é escrever como os brasileiros... De facto, reconheço esta expressão mais como brasileira, mas pergunto: é errado em Portugal dizer-se ou escrever-se «ele/ela não se enxerga» com o sentido de «ele/ela não tem noção do que faz/diz» ou «não vê o defeito que tem em si mesmo/a»? É que a expressão «ele não se enxerga» parece-me mais expressiva! Também já ouvi a expressão «ele não se manca». Desde já agradeço a vossa resposta.
«Dizer para...» e «pedir para...» + infinitivo
Não posso concordar [quando se diz] que é aceitável dizer «eu disse para fazeres isso». Correcto é (e sempre foi assim): «Eu disse que fizesses isso.» E porquê? Porque eu disse: «Faz isso!» Logo, fica: «eu disse que fizesses isso»; mas nunca «eu disse para fazeres isso», pois tal não faria sentido nenhum. Da mesma maneira que se diria: «eu ordenei que fizesses isso», e nunca «eu ordenei para fazeres isso», nem «eu mandei para fazeres isso», mas, sim, «eu mandei que fizesses isso»; pois a ordem, ou o mandado, foi: «Faz isso.» E o mesmo se aplica ao verbo pedir: Eu pedi: «Faz isso.» «Eu pedi que fizesses isso»; e não: «Eu pedi para fazeres isso». O uso de para seria correto neste caso: «Eu disse aquilo, para te animar»; «eu pedi aquilo, para te animar». Esse erro parece-me, mais, ser uma corrupção pelo inglês, em que se costuma dizer: «I told/ask you to do that», que, vertido literalmente para português, seria, efectivamente: «Eu disse-vos/pedi-vos para fazerdes isso»; mas cuja tradução em português correcto é: «Eu disse-vos/pedi-vos que fizésseis isso» («eu disse-vos/pedi-vos: Fazei isso»). Isto, sim, faz pleno sentido. Erros devem ser condenados prontamente; e não devem ser tolerados, só porque são muitos os que os cometem. E os doutores têm a obrigação de fazer isso mesmo. Quando prevaricam, o erro espalha-se velozmente.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa