DÚVIDAS

Resposta n. º 18 000 no Ciberdúvidas
1. Assinalamos com muita satisfação que foi recentemente posta em linha a resposta n.º 18 000. Ciberdúvidas considera que estas mais de 18 000 perguntas, disponíveis nas Respostas Anteriores e nas Respostas de Hoje, são bem sinal do interesse e entusiasmo com que o nosso trabalho tem sido acolhido. Fica, pois, a certeza de ter sentido prosseguir a tarefa quotidiana de saber mais sobre a nossa língua comum para a falar melhor. 2. Como sempre, além das nossas respostas, sugerimos a leitura das seguintes rubricas: – O Pelourinho, com um texto de Regina Rocha a propósito da regra de uso do infinitivo pessoal; – as Notícias Lusófonas, com especial atenção para a participação de José Francisco Viegas no programa Páginas de Português e para a Mostra de Linguística que se realiza em 26 e 27 de Junho na Reitoria da Universidade de Lisboa; – e o Correio. Saudações,  
Ala
Peço desculpa por vos importunar com uma dúvida tão pessoal, mas a verdade é que, até agora, ainda não consegui chegar a uma conclusão definitiva. A palavra inglesa "wing", além de "asa", serve para designar uma unidade da força aérea, e que é constituída por dois ou mais grupos, que por sua vez compreendem duas ou mais esquadras. Na Força Aérea Portuguesa, essa divisão maior não existe, e por isso aplicam a designação "grupo". Já na Força Aérea Espanhola, devido à sua maior dimensão, isso já não acontece, pois possui simultaneamente "grupos" e "alas". E é aqui que reside a minha dúvida. Será que é possível traduzir o termo inglês "wing", neste contexto específico, por "ala"? Os dicionários que até agora consultei são contraditórios. Por exemplo, o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia de Ciências de Lisboa, não atribui a "ala" nenhuma definição no campo da aeronáutica, ao passo que o Dicionário da Língua Portuguesa, da Porto Editora, é categórico ao indicar que, entre outras definições, "ala" é uma "unidade de emprego táctico das forças aéreas, formada por dois ou mais grupos estacionados no mesmo aeródromo militar". Os tradutores brasileiros gozam duma grande liberdade de adaptação de palavras estrangeiras, sobretudo anglicismos, ao português correntemente falado e escrito , o que, na minha opinião, não me parece correcto, sendo algo que eu, dentro dos limites do possível e do inteligível, procuro combater na minha actividade diária de tradutor. Por tudo isto, decidi uma vez mais apelar à vossa ajuda para o esclarecimento desta singular dúvida, esperando também que esse mesmo esclarecimento possa ser útil a outras pessoas. Continuem com o vosso excelente trabalho, que é verdadeiramente magnífico!
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa