DÚVIDAS

O regionalismo geio
Aqui no Douro, aplicamos com frequência o termo geia a cada uma das fileiras de videiras que existem num determinado sucalco de terreno. Se temos um terreno com quatro filas de videiras, dizemos que temos ali quatro geias. Se é um terreno com uma fila pequenina, dizemos que temos uma geiinha. Ora, não encontro tal palavra em dicionário nenhum. Apenas geia como forma do verbo gear ou como mulher de Urano, e jeira como uma medida de área de terreno agrícola. Vinha assim perguntar ao Ciberdúvidas se me sabe explicar qual a origem de tal termo, se existe, se virá de gear, da mitologia grega, ou se virá de jeira (e nesse caso será que se deveria escrever "jeia" e não geia?), ou se será outra coisa qualquer. Obrigada.
O feminino de tesoureiro e de secretário
Quando os cargos de tesoureiro e de secretário nos órgãos sociais de uma associação são preenchidos por pessoas do sexo feminino, devem: 1. manter a mesma designação, de género masculino (o tesoureiro é a Maria)? 2. manter a mesma designação mas precedida de pronome feminino (a tesoureiro é a Maria)? 3. mudar totalmente para o género feminino (a tesoureira é a Maria)? Neste caso, confundir-se-ia facilmente a secretária (membro do órgão social) com a secretária (profissional ao serviço da associação que trata do expediente, minuta actas, etc.). Agradeço o esclarecimento.
A pronúncia da palavra
Gostaria de saber qual é a pronúncia mais correcta para a palavra rã, sem ter em conta as diferentes regiões do país, mas, sim, o fonema em si. Tendo esta palavra monossilábica um til, deve-se recorrer a uma fonética nasal ("ran"), ou deve se pronunciar com a aberto ("rá")? Isto ajudaria a tirar as minhas dúvidas quanto a como pronunciar manhã, irmã, satã, etc. Qual é a forma mais correcta de pronunciar essa palavra em "bom português"? Obrigado.
Deocolônia
O termo francês déo-cologne parece ser um quiasmo de duas palavras francesas, a saber: deodorant, «desodorante», e cologne, «colônia», esta última, forma reduzida de eau de cologne, «água-de-colônia». Pois bem, de déo-cologne, fez-se, pelo menos no Brasil, um aportuguesamento servil «deo-colônia», em que aparece o “deo”, de deodorant”, quando em nossa linguagem é “desodorante”, iniciado, portanto, com “deso”. Em face de tudo isto, pergunto-lhes: o rigorosamente correto, em português, não seria o cruzamento “desocolônia”, que, entretanto, parece ainda não existir. Ou este é disfônico, devendo nós, os lusoparlantes, usarmos termos como desodorante-colônia ou colônia-desodorante? Estes últimos, aliás, devem ser escritos assim mesmo com hífen, não é mesmo? No Brasil, todavia, são escritos sem o traço-de-união.
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