Sérgio Luís de Carvalho - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
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Sérgio Luís de Carvalho
Sérgio Luís de Carvalho
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Escritor português, licenciado em História, autor, entre outras obras, dos livros Nas Bocas do Mundo, Uma Viagem pelas Histórias das Expressões Portuguesas e  Dicionário de Insultos. Sobre o autor, mais aqui.

 
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Por Sérgio Luís de Carvalho

Na Ponta da Língua, do historiador português Sérgio Luís de Carvalho (editora Clube do Autor), reúne 200 palavras que «nos podem tornar um pouco mais cultos», no entender do autor.

A capa elucida o leitor sobre o contributo do acervo linguístico aqui reunido: «Mais de 200 palavras que ajudam a falar e a escrever melhor», uma seleção enriquecedora, que tem o objetivo de nos levar a ter a palavra certa na ponta da língua.

Estas palavras estão agrupadas e divididas segundo a época histórica da entrada na língua portuguesa. É um critério de arrumação que leva o leitor a um esclarecimento que se torna mais interessante do que a simples ordem alfabética, em jeito de dicionário.

Exemplificando, no 1.º capítulo, Pré-História e Classicismo, encontramos ortodoxia e epicurista; no seguinte, o da Idade Média, mendicante e apócrifo; no da Época Moderna, heliocentrismo e antropocentrismo; e, no último, Época Contemporânea, deparamos significativamente com proletariado e sufragista.

Todas as 200 palavras estão detalhadamente explicadas numa perspetiva histórica, cultural e linguística.

Pena a ausência de um índice geral e da bibliografia consultada na elaboração da presente obra, cuja temática tem sido objeto de interesse do autor, com três anteriores livros: 

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Por Sérgio Luís de Carvalho

   Com o Dicionário de Insultos, o historiador Sérgio Luís de Carvalho visa reunir, como anuncia a capa do livro, «estranhas origens e bizarras histórias» à volta de 500 insultos. Nesta obra, que prima pela originalidade, podemos encontrar os mais variados insultos e expressões injuriosas que fazem parte do património e, essencialmente, da expressividade da língua portuguesa.

Quem nunca chamou «gandulo» a um «jovem mal comportado» ou «matulão» a uma «pessoa desajeitada e grande»? Quem nunca «deu o braço a torcer» depois de ser teimoso ou fez um «bicho-de-sete-cabeças» em determinada situação complicada? Estes são exemplos de conhecidas expressões, umas injuriosas, outras jocosas, que compõem o dicionário. No entanto, além de insultos e expressões mais convencionais, os mais curiosos podem encontrar no dicionário outros termos talvez mais estranhos. Assim, alguém pode sentir-se insultado se lhe chamarmos «draconiano», ou seja, «alguém que toma medidas demasiado rígidas, demasiado radicais e extremistas»; pouco cortês é certamente «azêmola», aplicado a gente rude e ignorante; e que dizer de «sevandija»,  designação de «pessoa que explora outro de quem vive às custas»?

Se considera que insultar bem é uma arte, não seja «mandrião» e consulte o dicionário que aqui falamos. Aprenderá, certamente, «apodos, epítetos, apóstrofes, desconsiderações, achincalhamentos, verrinas, ofensas e outros modos de apoucar quem nos azucrina» (cf. capa do livro). 

F.C.

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Uma Viagem pelas Histórias das Expressões Portuguesas
Por Sérgio Luís de Carvalho

Não sendo propriamente uma novidade no tema, trata-se de uma excelente compilação de histórias de centenas de expressões correntes, lugares-comuns e frases feitas que, ao longo dos tempos, se enraizaram na língua portuguesa e que continuam a fazer parte do nosso quotidiano. Assente numa recolha minuciosa feita a partir de uma série de estudos e obras desta mesma temática — esparsas e muitas delas já esgotadas ou fora do mercado —, o autor explora-as no contexto de várias épocas e áreas específicas.

Aqui se registam curiosidades de todos os tempos, da época clássica à actualidade, juntamente com o contexto e a origem (nalguns casos, suposta origem...) de cada expressão. Por exemplo, «ser um Adónis», com  a génese na Grécia antiga. Ou «canto da sereia», «dar uma panaceia», «estar entusiasmado», «fazer momices», «nó górdio», «[recorrer ao] oráculo», «tomar um afrodisíaco»,  «trabalhos de Hércules», etc., etc., etc. Dos romanos rememoram-se outras histórias de palavras e expressões deles chegadas até nós: «abracadabra», «andar [ou ir] a penates», «ave de mau agoiro», «a Rocha Tarpeia», «brilhar pela ausência», «[uma] celeuma», «estar de boa-fé», «[ser] desastrado», «o primeiro milho é dos pardais», «[ser] verrinoso», e por aí adiante.

A «vara da justiça» encontra-se entre os exemplos de expressões originárias da Idade Média. Hoje — como lembra Sérgio Luís de Carvalho, neste seu Nas Bocas do Mundo, Uma Viagem pelas Histórias das Expressões Portuguesas (ed. Planeta, Lisboa, 2010) —, utiliza-se no vocabulário judicial, como uma secção de um tribunal. Na Idade Média, «os oficiais de justiça frequentemente eleitos entre a população local (...) usavam uma vara própria na mã...