Pergunta:
A TSF e o Diário de Notícias têm uma entrevista conjunta que intitulam (e escrevem, conforme leio no jornal do dia 20 de Janeiro p.p.) «Palavra d`honra».
Independentemente de o apóstrofo estar abolido há muito da nossa ortografia (desde quando, já agora?), não se usa(va) apenas entre vogais?
Muito obrigado pelo esclarecimento.
Resposta:
É admissível essa utilização do apóstrofo.
O apóstrofo continua a usar-se em algumas palavras compostas, quando se dá a elisão do e da preposição de no interior dessas palavras. Exemplos: borda-d`água (espécie de calendário popular), copo-d`água (refeição oferecida em casamentos), mãe-d`água (nascente ou reservatório de água), estrela-d`alva (nome vulgar de uma árvore que tem aplicação na indústria têxtil), pau-d`alho (árvore medicinal são-tomense).
Como se pode ver, apesar de, na formação de cada uma destas palavras, ter entrado de algum modo o significado das palavras que a compõem, a palavra composta tem uma especificidade própria, sendo o seu significado diferente do da soma do significado particular de cada uma das palavras que a constituem: por exemplo, um copo-d`água é diferente de um copo de água.
Quanto ao termo palavra d`honra, referido no Diário de Notícias, trata-se do nome de um programa semanal da TSF, que consiste numa entrevista com um protagonista central da vida política. Como nome de programa, é admissível esta construção. Palavra d`honra vai, assim, como as palavras compostas acima, ter um significado diferente do termo palavra de honra. Para a distinguir deste termo e lhe conferir a sua própria individualidade como nome próprio, é admissível o uso do apóstrofo.