Elsa Rodrigues dos Santos - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
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Elsa Rodrigues dos Santos
Elsa Rodrigues dos Santos
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Elsa Rodrigues dos Santos (1939 - 2012) licenciada em Filologia Românica e com o Mestrado em Literaturas Brasileira e Africanas de Língua Portuguesa pela Faculdade de Letras de Lisboa. Autora, com D'Silvas Filho, de Grandes Dúvidas da Língua Portuguesa. Ex-Presidente da Sociedade da Língua Portuguesa. Foi agraciada pelo Estado de Cabo Verde com a Ordem do Vulcão, pela sua dedicação à cultura cabo-verdiana.

 
Textos publicados pela autora

Passaram-se cinco anos desde que atribuímos pela primeira vez o
Prémio Crónica João Carreira Bom, com o patrocínio da empresa Vodafone, a Eduardo Prado Coelho e, em anos seguintes, a Vasco Pulido Valente, Armando Baptista Bastos e a José Manuel dos Santos.

Sociedade da Língua Portuguesa

[No] terceiro ano consecutivo da atribuição do Prémio da Crónica João Carreira Bom / SLP, que foi instituído por cinco anos, com o patrocínio da Empresa Vodafone, a Sociedade da Língua Portuguesa e o Ciberdúvidas da Língua Portuguesa têm o imenso prazer e honra de o atribuir este ano a Armando Baptista-Bastos.

Quero uma vez mais agradecer ao Senhor Dr. António Carrapatoso, presidente do Conselho de Administração da Empresa Vodafone, o patrocínio a...

«O Sermão de Santo António» do Padre António Vieira foi pregado na cidade de S. Luís do Maranhão no ano de 1654, três dias antes de embarcar para o reino, procurando remédio para a salvação dos índios. Na verdade, nessa altura tinha sido já abolida a escravidão dos índios, pelo menos em teoria, nas terras do Pará e Maranhão. Mas, infelizmente, os solenes compromissos dos colonos portugueses em breve cairiam no esquecimento, continuando os índios, chamados livres, oprimidos como dantes e os do sertão escravizados injustamente. Vieira lutava, assim, pela mudança deste estado de coisas, enviando cartas para o governo de Lisboa, sermões e petições a fim de que as leis fossem respeitadas. Mas tudo inútil. Nem os colonos, nem as autoridades portuguesas, nem os religiosos de outras Ordens apoiavam a acção de Vieira.
Por isso, ele resolve ir a Lisboa tentar novas exposições para que se proclamem definitivamente leis a favor dos índios.
No dia 13 de Junho, Dia de Santo António, três dias antes da sua partida, o Padre António Vieira sobe ao púlpito e, a exemplo de Santo António, vai fazer este sermão e nas suas palavras está implícito o ambiente adverso contra ele, pois falará aos peixes já que os homens não o ouvem.
Este é o contexto histórico do «Sermão de Santo António». Vejamos agora o significado da frase referida que se esconde atrás da linguagem metafórica:
Recuando um pouco, o autor adverte que aqueles que hoje humilham os mais pequenos serão amanhã destruídos também pelos maiores. E cito: «bem ouviriam estes lá no Tejo que esses mesmos maiores, que cá comiam os pequenos, quando lá chegam, acham outros maiores que os comem também a eles.»
Por isso, o autor avisa, interrogando:
«Não vedes que contra vós se emalham e entralham as redes; contra vós se tecem as massas, contra vós se torcem as linhas: contra vós se dobram e farpam os anzóis?
(...). Não vos basta pois q...

O projecto de revisão curricular do Ensino Secundário em Portugal teve já a reacção de vários sectores como escritores e professores no que diz respeito à disciplina de Literatura Portuguesa que é remetida para um lugar menor, colocando-a como cadeira de opção para todos os cursos, excepto para os alunos de Línguas e Literaturas.

Quando falamos na defesa da língua portuguesa teremos, antes de mais nada, de equacioná-la em função da Comunidade dos Povos de Língua Portuguesa, uma vez que só através dela somos a quinta língua mais falada no mundo.

Como afirma Eduardo Lourenço, «uma língua não é uma realidade com futuro, nem sequer presente, por direito divino. É um ser espiritual vivo, intrinsecamente mortal, no meio de outras línguas, expressão de históricas vontades de poderio, de sedução, de afirmação identitári...