Há um conjunto de verbos que podem designar-se como verbos de transferência em que a ação designada pelo verbo se projeta, ou é transferida, no complemento indireto (CI), que, do ponto de vista semântico, assume o papel temático de alvo, meta, ou destino.
No caso do verbo responder há uma entidade agente (o sujeito) que responde, e há uma entidade, normalmente com o traço mais humano, que recebe a resposta. Essa entidade desempenha a função sintática de CI a que se atribui facilmente o papel temático de destino.
O que acaba de se expor explicita-se numa frase como 1:
1. «Ele respondeu com convicção à Maria.»
A entidade com função de CI em 1 é facilmente substituída pelo pronome:
1.1. «Ele respondeu-lhe com convicção.»
Curiosamente, a par desta construção, que poderemos considerar prototípica, o verbo responder assume outro tipo de construções em que à função sintática de complemento indireto não é atribuído o papel temático de destino. É o caso da frase em apreço que repetimos como 2:
2. «Ele respondeu com convicção a todas as questões.»
Note-se que, neste exemplo, o CI dificilmente pode ser substituído pelo pronome (os ??? indicam aceitabilidade reduzida ou nula):
2.1. ???«Ele respondeu-lhes com convicção.»
O referente de lhes em 2.1 parece ser não «a todas as questões», mas, sim, a pessoa, ou pessoas, que terá formulado essas questões. E, nesta interpretação, a expressão «a todas as questões» assume um papel temático mais próximo do tema, associável em muitos casos ao complemento direto.




