Textos publicados pelo autor
Preposições com a expressão «abrir fogo»
Pergunta: Diz-se «abrir fogo contra» ou «abrir fogo sobre»?
Obrigado.
Resposta: A expressão «abrir fogo», interpretável nas aceções de «disparar (arma)» e «começar um ataque»1, é compatível com ambas as preposições, contra e sobre, como se atesta quer por uso literário quer por registo dicionarístico:
(1) «A Voz, porém, abriu fogo contra Rodrigo Esteves: acusou-o das maiores torpezas enquanto empregado dos Amorins.» (João Gaspar Simões, Pântano, 1936)
(2)...
A formação e a grafia do nome bolsomínion
Pergunta: A palavra "bolsominion" necessita de acento gráfico? É uma palavra paroxítona?Resposta: Em português, a grafia correta é bolsomínion.
A palavra em causa é analisável como uma amálgama construída pela truncação bolso-, do nome próprio Bolsonaro (apelido ou sobrenome do atual presidente do Brasil), e do termo inglês minion, «servo, lacaio»1. É muito provável que o emprego deste anglicismo decorra do facto de na última década se ter tornado mais conhecido...
Esparguete (Portugal) = espaguete (Brasil)
Pergunta: Os dicionários registam esparguete, termo mais usual em Portugal, e espaguete, considerado mais correto no Brasil.
Sendo a origem desta palavra o vocábulo italiano spaghetti (plural de spaghetto, diminutivo de spago – cordel), qual será a razão da epêntese do r em esparguete?
Na 3.ª edição (1977) do Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa de José Pedro Machado,...
A crase na nota de suicídio de Getúlio Vargas
Pergunta: Eu sei que não cabe analisar uma frase dita em outros tempos com as estruturas do presente, mas o ex-presidente de Brasil, o populista Getúlio Vargas [1882-1954], antes de se suicidar, escreveu:
«A sanha dos meus deixo o legado de minha morte.»
Se o trecho fosse escrito atualmente, o "a" deveria levar crase?
Grato!Resposta: A frase original faz parte da versão manuscrita da chamada carta-testamento de Getúlio Vargas. Em diferentes edições, apresenta-se sempre a palavra à com...
O uso de meia [dúzia] = seis (no contexto de Portugal)
Pergunta: É muito comum no Brasil usarmos o termo «meia dúzia» com o sentido de «seis», principalmente em comunicações telefônicas e aéreas, para que em caso de algum ruído na comunicação, não se ouça três, no lugar de seis. Logo, «meia dúzia» facilita a compreensão de que falamos de 6, e não três.
Pois bem, uma pessoa grosseira me corrigiu, quando eu fornecia meu telemóvel, e citei um dos dígitos como «meia dúzia», com o intuito de facilitar a compreensão. A pessoa respondeu que «meia era para...
