365 Dicas para não dar erros
Como acabar de vez com as dúvidas gramaticais...
Publicado em agosto de 2026 pela Penguin, 365 Dicas para não dar erros, de Rita Asseiceiro, resulta do percurso da autora à frente do projeto Meia Dúzia de Erros, criado em 2020 nas redes sociais com o propósito de esclarecer dúvidas e curiosidades sobre a língua portuguesa. O livro retoma esse trabalho de divulgação e propõe, como o título indica, uma dica para cada dia do ano, procurando tornar o contacto com a língua mais simples, acessível e próximo do quotidiano.
A obra está organizada em 13 capítulos, dedicados a diferentes áreas da língua portuguesa. A ortografia, a pontuação e a acentuação ocupam os primeiros capítulos, seguindo-se o acordo ortográfico e as particularidades do uso dos verbos, incluindo questões de regência. Há ainda espaço para dúvidas que surgem na confluência entre língua e matemática, como a escrita de números ordinais, a indicação das horas ou a diferença entre bilião e billion.
Muitos dos exemplos partem de dúvidas ou usos facilmente reconhecíveis: trilogia ou "triologia"?; uma vírgula entre o sujeito e o predicado?; 3.º classificado ou, sem ponto abreviativo, 3º classificado?; bolo-rei ou «bolo rei»? Também questões como o género de diabetes, os plurais de palavras com diferentes terminações ou a regência de adjetivos e verbos encontram neste livro uma explicação acompanhada de exemplos concretos. A organização gráfica, que contrapõe frequentemente a forma incorreta à forma adequada, favorece uma consulta rápida e torna visível a diferença entre as duas possibilidades.
Mas 365 Dicas para não dar erros não se limita às questões tradicionalmente associadas à correção linguística. A partir do capítulo dedicado à diversidade da língua portuguesa, a autora chama a atenção para a existência de regionalismos e para a riqueza que resulta da variação linguística. Palavras como cruzeta e cabide, usadas com diferentes significados ou preferências regionais, mostram como a língua se concretiza de formas diversas no espaço português. O capítulo seguinte aborda, por sua vez, a influência de outras línguas, refletindo sobre a entrada e a adaptação de palavras estrangeiras no português, como acontece com cocktail e coquetel.
O livro mostra, assim, diferentes formas de olhar para a língua e para os seus usos. Portanto, embora parta frequentemente de erros e dúvidas, o percurso proposto acaba por conduzir a questões mais amplas sobre a própria natureza da língua.
O último capítulo, dedicado a como melhorar a escrita, prolonga essa perspetiva. Escrever melhor não depende apenas de conhecer regras: exige prática, atenção às escolhas linguísticas, contacto com diferentes textos e capacidade de observar como outros escrevem. A autora propõe, por isso, que a escrita seja encarada como uma competência que pode ser exercitada e aperfeiçoada.
Com uma abordagem assumidamente acessível e exemplos retirados de situações próximas dos falantes, 365 Dicas para não dar erros apresenta-se, assim, como uma obra de consulta para quem quer esclarecer dúvidas, mas também como uma introdução descontraída a diferentes dimensões do português.
