Pelourinho Não se agradece a uma decisão, mas a alguém «O meu sentimento, como é natural, é de um grande reconhecimento e de agradecimento à decisão que o senhor presidente da República tomou em querer-me agraciar.»1 Nesta frase há dois aspectos a considerar: primeiro, não se agradece a uma decisão, agradece-se a alguém; segundo, o pronome se deverá estar ligado ao verbo ao qual diz respeito (agraciar), e não ao auxiliar (querer). Maria Regina Rocha · 7 de fevereiro de 2007 · 2K
Pelourinho As "previsões" de um aeroporto muito especial «Aeroporto de Beja poderá atingir 1,8 milhões de passageiros em 2020» era o título da seguinte notícia do jornal Público de 3 de Janeiro p. p.: «O aeroporto de Beja prevê atingir, entre partidas e chegadas, uma média de 178 mil passageiros em 2009, que poderão aumentar até 1,8 milhões em 2020, segundo as previsões da empresa responsável pelo projecto.» Será que o aeroporto de Beja prevê fazer concorrência à taróloga Maya? João Alferes Gonçalves (1944 — 2023) · 5 de fevereiro de 2007 · 4K
Pelourinho Fiquem-se com a ideia Recentemente, o primeiro-ministro declarou: «Em 2010, 10% do total de combustível gasto nos transportes deverá ser biocombustível» (Visaoonline, 24-1-07). Afirmou também, a respeito do aeroporto em Beja: «As obras deverão estar concluídas em menos de dois anos» (TSF: 28/1/07). Ana Martins · 3 de fevereiro de 2007 · 2K
Pelourinho «Ter de» e «mais bem (e não "melhor") remunerado» «É evidente que Portugal tem que apostar cada vez mais num modelo assente em trabalho cada vez mais qualificado e, portanto, melhor remunerado.»1 Duas incorecções nesta frase: Em primeiro lugar, embora esteja generalizado o uso de «ter que» em vez de «ter de», é bom lembrar que «ter de» é a locução adequada quando se pretende referir um dever, uma obrigação: «Portugal tem de apostar cada vez mais num modelo assente em trabalho qualificado.» Maria Regina Rocha · 2 de fevereiro de 2007 · 2K
Pelourinho Estrangeirismos q.b. Os limites do seu uso Os estrangeirismos que percorrem todas as secções dos jornais portugueses, nesta crónica das professora Ana Martins, pulicado no semanário Sol de Ana Martins · 27 de janeiro de 2007 · 6K
Pelourinho Dignitário (e não "dignatário") O recorrente tropeção em dignatários assinalado neste apontamento da professora Maria Regina Rocha, a prpósito do que se ouviu numa entrevista ao primeiro canal da televisão pública portuguesa. Maria Regina Rocha · 24 de janeiro de 2007 · 11K
Pelourinho // Género "Poetisa" inferioriza? Está em voga dizer uma poeta portuguesa. Ainda esta semana isto se ouviu e leu, no programa Os Grandes Portugueses, da RTP-1. No entanto, a forma poeta, como nome capaz de designar género masculino e género feminino, não se encontra registada em nenhuma gramática ou dicionário. Aprendemos todos na escola que o contraste de género, para além do recurso a formas terminadas em - a (pintor — pintora</... Ana Martins · 21 de janeiro de 2007 · 6K
Pelourinho Flexissegurança Em declarações1 ao enviado da RTP-1 que acompanha a visita do Presidente da República português à Índia, Cavaco Silva, falando em Goa, referiu-se à flexissegurança (o conceito de mobilidade do mercado de trabalho sem desproteger os trabalhadores), tendo aquela palavra aparecido escrita em legenda da seguinte forma:fexis... José Mário Costa, Maria Regina Rocha · 17 de janeiro de 2007 · 3K
Pelourinho Em que param as modas Já vimos que o discurso publicitário recorre frequentemente a “charadas gráficas”, a combinações de símbolos que exigem decifração e que apelam ao lado visível e auditivo das palavras. Veja-se o exemplo: «i9 (produto TMN). Condensa-se aqui a instigação a uma atitude muito valorizada socialmente: «inove». Capta-se o interesse do consumidor através de uma criação inusitada e divertida. Ana Martins · 15 de janeiro de 2007 · 4K
Pelourinho «Chamar a atenção» e «chamar à atenção» «Filipa tem chamado à atenção do marido para o peso excessivo», escrevia-se no jornal 24 Horas, de 9 de Janeiro p.p. Escrevia-se mal: chamar alguém à atenção é uma forma de dizer que se chama alguém para que preste atenção; e pode também significar repreender, advertir, admoestar. 10 de janeiro de 2007 · 5K