O nosso idioma // Expressões correntes
Risco de vida ou risco de morte
A hiperconsciência dos falantes
Quando alguém que teve um acidente muito grave, diz-se que essa pessoa se encontra em «risco de vida» ou em «risco de morte»?
A expressão com mais história e com mais atestações é, de facto, «risco de vida». Trata-se de uma expressão dicionarizada com o sentido de «perigo de morte». Assim, «risco de vida» deve ser entendido com o valor de que «alguém tem a vida em risco», ou seja, poderá vir a morrer. Esta expressão encontra-se com este sentido já em textos do século de XIX, em autores como, por exemplo, Camilo Castelo Branco.
Não obstante, em época mais recente, passou também a usar-se a expressão «risco de morte», que é possível identificar tanto em textos do quotidiano como em textos literários. A expressão é equivalente a «risco de vida» e terá começado a ser usada porque houve quem, interpretando-a à letra, considerasse que o risco que se corria era de morte e não de vida, dado o valor negativo do nome risco. Não será também de desprezar a possibilidade de que este uso mais recente se tenha formado por influência da expressão «perigo de morte», que, por sua vez, também alterna com «perigo de vida».
Assim sendo, atualmente, é possível usar tanto a expressão «risco de vida» como «risco de morte», embora a primeira tenha mais história.
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[AUDIO: Carla Marques_Risco de vida]
Apontamento da professora Carla Marques incluído no programa Páginas de Português, na Antena 2 (31/05/2026)
