Antologia // Portugal Falta de estilo De uma geração de «linguareiros sem gramática e sem escova de unhas» «Falta-nos a precisão no termo exacto; falta-nos a elasticidade no giro da locução; falta-nos o rasgo pitoresco no desenho da frase; falta-nos a vibrante harmonia na orquestração do discurso. Coçamo-nos, contorcemo-nos, desarticulamo-nos, a querer dizer amor, e nunca nos chega a língua. Temos a prosa histérica, abastardada, exangue e desfalecida de uma raça moribunda.» Texto da autoria de Ramalho Ortigão (1836 — 1915 ), publicado no livro As Farpas, em coautoria com Eça de Queirós. Edição David Corazzi, tomo III, pág. 44 e ss., janeiro de 1884, in Paladinos da Linguagem, 1.º vol., Aillaud e Bertrand, Lisboa, 1921. Título da responsabilidade do Ciberdúvidas Ramalho Ortigão · 9 de junho de 1998 · 3K
Pelourinho Ministro sem calço Quando falamos português, só é aceitável o emprego de palavras estrangeiras se a necessidade de clareza o exigir. Compreende-se, por isso, que em certos casos se diga "design", embora desenho e estilo possam servir, e noutros se prefira "marketing", apesar de existir mercadologia. Esta regra obriga todos os cidadãos e, em especial, os membros do Governo. Mormente o ministro que fiscaliza se as empresas apresentam em português as instruções dos produtos.... Teresa Álvares · 5 de junho de 1998 · 3K
Diversidades O mosquito de Nietzsche Com sensibilidade, Inácio Bicalho e João P. Jorge leram-nos a sina das línguas, este mais do que aquele, num discurso ontológico. Faz sentido no actual período da História, para nos recordar a evidência esquecida de que o inglês, língua do império dominante, também há-de morrer. Diria que esta tese é oposta ao assomo do mosquito de Nietzsche. Ele, ser para nós insignificante, "imita" o anglo-saxónico, que se imagina o centro do mundo. Mas isso, afinal, quer no anglo-saxónico, quer no mosquito... Afonso Peres · 4 de junho de 1998 · 5K
Antologia // Portugal Portugueses: mestres da pronúncia A semelhança entre certas particularidades, comuns ao português e ao japonês, com igual paridade entre o português e o malaio, explicam suficientemente o fenómeno, que pareceria extraordinário, de ser a representação portuguesa dos nomes de muitas regiões da Ásia, onde estivemos e dominámos, a mais fiel às pronúncias vernáculas, entre as de todas as línguas europeias. O mesmo se pode dizer a respeito da nomenclatura da África, a sul do Equador. Aniceto R. Gonçalves Viana · 4 de junho de 1998 · 3K
Diversidades Cavês ou Cavez? Nas duas primeiras reuniões da Assembleia de Freguesia, após as eleições autárquicas de Dezembro do ano findo, foi discutida a grafia do nome da nossa terra, Cavez: uns, porque se escreve com z, Cavez; outros, porque se escreve com s e acento circunflexo, Cavês. Francisco Pereira · 1 de junho de 1998 · 5K
Antologia // Portugal A influência do português no Oriente A influência de Portugal no Oriente não tem sido até hoje devidamente apreciada num conjunto, em toda a sua extensão e em toda a sua intensidade. Tem-se escrito muito sobre os feitos gloriosos dos seus navegadores e conquistadores, sobre os actos heróicos dos seus capitães e governadores. Tem-se descrito graficamente o seu largo trato comercial, os seus vastos empórios, os labores penosos e o luxo deslumbrante de seus filhos nas colónias. Também se tem criticado severamente, pela orient... Sebastião Rodolfo Dalgado · 28 de maio de 1998 · 11K
Pelourinho Como em França se defende a sua língua... ... ao contrário do que se passa em Portugal As línguas da Exposição Mundial de Lisboa são o português, o inglês e o espanhol, o que valeu – e muito bem! – um protesto por parte das autoridades francesas. Carlos Marinheiro · 25 de maio de 1998 · 4K
Antologia // Portugal A evolução do português Não há dúvida que daqueles tempos para cá (1) houve na língua portuguesa notável variação, por se seguir glorioso reinado ou – por melhor dizer – se fundar o novo império (como diz o Poeta) do felicíssimo rei D. Manuel; cuja corte, além de ser a de mais polícia de nossos reis, foi frequentadíssima de todas as nações; das quais, com a mistura dos idiomas, e com os polidos sujeitos que dali por diante se começaram a criar, saiu a nossa língua mais elegante e suave. Caso que com a sua toscana ac... Frei Manuel do Sepulcro · 21 de maio de 1998 · 6K
Pelourinho «Êu-ròs»? Não. /Êu-rus/! O Governo, se prezasse o português, poderia aproveitar a campanha publicitária do euro para sugerir a pronúncia portuguesa desta palavra. Pelo contrário. No anúncio televisivo, transmitido nos últimos dias, insiste-se em dizer... /êu-rò/! Formado a partir do truncamento da palavra Europa, o euro... João Carreira Bom · 15 de maio de 1998 · 2K
Antologia // Portugal A francesia Ao pé de cada canto, hoje, sem pejoSe tratam de Monsieur os Portugueses.Isto, senhor, é moda, e como é moda,A quisemos seguir, e sobretudoMostrar ao mundo que francês sabemos.— De tanto peso pois (lhe volve o Lara)É, padre jubilado, porventuraO saber o francês, que disso alardeFazer quisessem Vossas Reverências?Por acaso, sem esse sacramento,Não podiam salvar-se, e serem sábios?Pois aqui, em segredo, lhe descubroQue o francês, p... António Dinis da Cruz e Silva · 14 de maio de 1998 · 5K