Pelourinho O capitulacionismo à NATO Se NATO (North Atlantic Treaty Organization) é a sigla em inglês do que sempre foi em português OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), porque se há-de repetir o que dizem (e escrevem) os anglófonos, recusando, inclusive, a forma tradicional lusófona?! E se se prefere NATO em vez de OTAN, porque não, já agora, UN (United Nations) em vez de ONU (Organização das Nações Unidas), USA (United States of America) em vez de EUA (Estados Unidos da América), ou, até, UK (United Kingdom ) no luga... José Mário Costa · 26 de março de 1999 · 4K
Antologia // Brasil Sobriedade e ênfase O estudo científico, ou a filologia moderna, tem revelado novos aspectos gerais, que podem ser adaptados ao nosso vernáculo. Nem sempre o que foi dito pelos clássicos é absolutamente puro; e podemos opor-lhes o nosso critério para o que for consentâneo e justo à inteligência da linguagem. Quer no aspecto etimológico, sintáctico, ou semântico, as modificações hão-de surgir naturalmente no conceito dos povos acerca dos factos idiomáticos. António Austregésilo · 25 de março de 1999 · 3K
Controvérsias Ordem directa e ordem inversa, ainda 1. - Não considerei «não portuguesa a estrutura da frase: "Uma nova revista, destinada aos tempos livres, apareceu nas bancas portuguesas (...)"». Como poderia eu considerar não portuguesa uma estrutura própria da nossa língua? O que eu disse foi coisa bem diferente: «que em muitos casos, não devemos empregar a ordem directa, como é próprio do inglês». Dizer «em muitos casos...» não é afirmar que não é portuguesa a ordem directa. Mais ainda: apenas afirmei que «em muitos casos» e não e... José Neves Henriques (1916-2008) · 23 de março de 1999 · 3K
Controvérsias Um problema de ênfase Como digo na minha réplica, nas obras de estudiosos portugueses e brasileiros que consultei - de Epifânio da Silva Dias a Aurélio Buarque de Holanda -, nada vi que exigisse a frase em causa sempre na ordem inversa e a considerasse inglesa na ordem directa. Porque de problema enfático (ênfase, estilo), acima de tudo, se trata. João Carreira Bom · 23 de março de 1999 · 5K
Controvérsias Ordem directa e ordem inversa, de novo Uma vez que uma reacção minha ao artigo de José Mário Costa intitulado «Portugueses que preferem o inglês» mereceu duas respostas da parte do Ciberdúvidas, gostava, sem pretender entrar em grandes polémicas, de acrescentar algumas observações: 1. Tem toda a razão o professor José Neves Henriques: «ter a ver com» é de facto um galicismo. Escapou. Deve ser influência do Eça de Queirós... 2. João Carreira Bom, que... Frederico Leal · 23 de março de 1999 · 5K
Antologia // Portugal Língua de acção A linguagem de Camilo não é tanto a língua portuguesa genuína e opulentada de todos os vocábulos que uma retentiva paciente é capaz de ir colher aos vernaculismos do povo e das bibliotecas, como o instrumento vivo e acirrante dum espírito de artista que, por profundo e multíplice, houve mester, como os órgãos das catedrais, de exprimir por tubos de cobre a potência orquestral da sua voz. Fialho de Almeida · 12 de março de 1999 · 3K
Controvérsias Ordem directa e ordem inversa Permito-me discordar de Frederico Leal e do professor José Neves Henriques, que consideram não portuguesa a estrutura da seguinte frase: «Uma nova revista, destinada aos tempos livres, apareceu nas bancas portuguesas, com rubricas como cinema, teatro, artes, livros, música, o habitual.» Parece-me tão portuguesa esta frase na ordem directa («uma revista apareceu») como na ordem inversa («apareceu uma revista»). Em português, predomina a ordem di... João Carreira Bom · 3 de março de 1999 · 9K
Controvérsias «Construção» inglesa De facto tem razão. Em muitos casos não devemos empregar a ordem directa, como é próprio do inglês. A ordem das palavras apresentada por Frederico Leal é, sem dúvida, a ordem natural em português. Ainda bem que é daqueles que sentem a Língua. Fico, pois, muito agradecido por me chamar a atenção para o caso. Já agora, uma observaçãozita: é sintaxe francesa dizermos: «... nada tem a ver com o português...» (2.º parágrafo) ... José Neves Henriques (1916-2008) · 3 de março de 1999 · 2K
Antologia // Portugal Língua remendada «Pelo pouco que lhe que [os] seus naturais» « Para falar, [a linguas portuguesa] é engraçada, com um modo senhoril; para cantar, é suave, com um certo sentimento que favorece a música; para pregar , é substanciosa, com uma gravidade que autoriza as razões e as sentenças; para escrever cartas, nem tem infinita cópia que dane, nem brevidade estéril que a limite; para histórias, nem é tão florida que se derrame, nem tão seca que busque o favor das alheias», escreve Franciso Rodrigues Lobo (1580 — 1621) neste extrato da obra Corte na Aldeia, em louvor do idioma nacional e contra «o pouco que lhe querem [os] seu naturais, a trazerem mais remendada que capa de pedinte» Francisco Rodrigues Lobo · 25 de fevereiro de 1999 · 5K
Controvérsias // Brasil vs. Portugal A língua viva Num território de ninguém... «Desde muito cedo aprendi que a língua é viva. Talvez os meus professores fossem anarquistas e quisessem destruir tanto o Brasil como Portugal através da fala e da escrita. Cresci a acreditar que as vírgulas não foram feitas para envergonhar ninguém, que os acentos são apenas sinais gráficos a tentar simular a linguagem oral e pior do que escrever errado é ser analfabeto de pai e mãe.» * Crónica do publicitário brasileiro Edson Athaíde, transcrita a seguir, com a devida vénia, Diário de Notícias do dia 14 de Fevereiro de 1999, acusado de ser puxa-saco (lambe-botas) pr ecvrever «coisas como "tipo", "se calhar", "casa de banho"» e vitar os gerúndios. Edson Athayde · 15 de fevereiro de 1999 · 4K