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Responder ao quê?

O survey desnecessário

Há anglicismos que entram na língua preenchem vazios reais. Software, podcast, streaming: goste-se ou não, designam conceitos que chegaram noutra língua e para os quais nem sempre se encontrou equivalente consensual. No entanto, há outros que parecem surgir apenas porque sim.

Foi o que aconteceu nesta mensagem eletrónica da Locky, a pedir a avaliação da experiência de entrega. Pergunta-se pela experiência, pede-se que se responda a um breve questionário, explica-se a utilidade da resposta. Tudo em português, de forma linear e coerente. Até que se lê: «Responder ao survey».

Se, duas linhas acima, o próprio texto já tinha resolvido o problema lexical ao optar por questionário, por que razão surge aqui survey? De facto, se o destinatário é convidado a «responder a este breve questionário», o botão poderia dizer simplesmente «Responder ao questionário».

A solução adotada cria assim uma forma híbrida, português de um lado, inglês do outro, que não simplifica. «Responder ao survey» não é mais curto, nem mais claro, do que «Responder ao questionário». 

É certo que se trata de um pormenor. Talvez tenha sido apenas uma distração de quem preparou esta mensagem, e ninguém deixará de compreender o que é pedido por causa do survey. Mas a questão não é a compreensão, é a coerência. Se o próprio texto reconhece a adequação da palavra questionário, a opção pelo inglês no botão não acrescenta rigor nem eficiência, apenas destoa. 

ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa