Uma avidez por Portugal - Diversidades - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
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Uma avidez por Portugal

Samuel Rego, director do Centro Cultural Português de Vigo

«Em cultura portuguesa, nunca se começa do zero na Galiza. Há estruturas institucionais, há núcleos permanentes de interesse, que têm já uma agenda portuguesa. E há uma apetência, uma quase avidez cultural pelo nosso país.» Assim diz Samuel Rego, director do Centro Cultural Português de Vigo, o único em território espanhol, sedeado no edifício civil mais antigo da cidade, oferecido ao Instituto Camões pelo governo galego.

«A nossa tarefa é, por um lado, viabilizar o contributo português em realizações galegas, sejam de música, de teatro, de dança, da difusão do livro, integrando aquilo que vem de Portugal nas agendas culturais existentes. Por outro, provocamos solicitações de parte a parte, fornecendo informações, facilitando contactos, sugerindo actividades comuns, a participação em certames. É um papel de intermediários que assumimos com gosto.»

«Temo-nos concentrado em Vigo, onde há uma excelente colaboração com a autarquia, e na capital, Santiago. Mas é apenas um começo. Tivemos já experiência valiosíssima em zonas rurais, como uma Feira do Livro Português, e propomo-nos avançar nelas, pela vantagem de serem as mais galego-falantes, com uma proximidade linguística à partida.»

«O que é único aqui, o que para nós distingue a Galiza de qualquer outra região de Espanha, é não sermos sentidos como estrangeiros, e podermos dispensar-nos de actuar como tais. Sim, é que tratar os agentes culturais galegos como estrangeiros é um erro palmar, tão profundos conhecedores eles são da cena cultural portuguesa.»

Fonte

Sobre o autor

Fernando Venâncio (Mértola, 1944) formou-se em 1976 em Linguística Geral, na Universidade de Amesterdão. Aí se doutorou em 1995, com um estudo sobre as «ideias de língua literária em Portugal no século XIX». Publicou estudos sobre «brasileirismos em Portugal», as reformas ortográficas e o Português Fundamental. Tem escrito no Jornal de Letras (JL), no semanário Expresso e na revista Ler. É autor dos romances Os Esquemas de Fradique (1999) e El-Rei no Porto (2001) e da antologia Crónica Jornalística. Século XX (2004).