DÚVIDAS

Ainda a pronúncia da palavra blister
Fiz, há dias, a seguinte pergunta: «Como se pronuncia a palavra blister? Tem acento grave ou agudo?» Penso que a pergunta estará identificada pelo n.º 25 587 e foi respondida por Carlos Rocha. Fiquei, porém, algo decepcionado com a resposta, que não correspondeu às minhas dúvidas. Em primeiro lugar, argumenta-se que é uma palavra inglesa. Porém, como se argumenta na resposta, da vossa responsabilidade, à pergunta 15 205, «O “blister” é muito utilizado na indústria farmacêutica, para acondicionar os comprimidos, as drageias ou as cápsulas.» E não me recordo da sua utilização entre aspas, pelo que ela já está efectivamente a ser aportuguesada. Ou seja: a palavra é de uso frequente, mesmo que ainda não esteja no dicionário da academia, pelo que interessa saber pronunciá-la. De seguida, argumenta-se com a pronúncia constante do Dicionário Houaiss, de origem brasileira. Ora, segundo sei, esse dicionário é muito conceituado, mas não terá uma tendência para a pronúncia brasileira? Que tantas vezes difere da portuguesa? Por estas razões, reformulo a minha pergunta: caso a palavra blister já esteja (ou venha a ser) aportuguesada, como se pronunciaria? Não seria mais natural que tivesse acento tónico agudo, à imagem de clister, mister ou Almoster?
A grafia da capital da Ucrânia e a da capital da Bielorrússia
Gostaria apenas de fazer um pequeno esclarecimento respeitante à minha questão sobre a capital da Ucrânia, Quieve. Na resposta dada por F. V. P. da Fonseca, refere-se que a forma ucraniana da sua capital também tem E. No entanto, é apenas a forma russa da cidade que tem E: "Kiev" ou "Kiyev" (Киев). Em ucraniano escreve-se "Kyyv" ou "Kyiv" (Київ). Será então legítima a forma "Quive"? E quanto a "Minsque" para a capital da Bielorrússia, normalmente grafada com a transliteração anglófona Minsk (de Мінск)?
Supressão de preposições em complementos verbais
A propósito da polémica levantada na opinião pública por ter sido visto a fumar no avião que o transportava na sua viagem oficial à Venezuela, o senhor primeiro-ministro José Sócrates proferiu os seguintes enunciados que transcrevo, do jornal Público do dia 15 de Maio desse ano: «Tenho o convencimento que se podia fumar»; «estava convencido que não estava a violar nenhuma lei»; «Tenho agora consciência que os fumadores inconscientemente podem violar normas e regulamentos.» Em minha opinião, os três enunciados enfermam de erros de construção, por omissão da preposição de antes da conjunção subordinativa substantiva que, por as estruturas «ter conhecimento», «ter consciência», «estar convencido» e outras similares regerem essa preposição como, por exemplo, «chegar à conclusão». Com efeito, ter conhecimento, ter consciência, estar convencido, chegar à conclusão serão, em minha opinião, ter conhecimento, ter consciência, estar convencido, chegar à conclusão de algo, por isso o emprego da preposição de antes de que. São muito frequentes estas ocorrências mesmo em escritores de nomeada, para não falar nos média e nas intervenções públicas dos diversos agentes sociais, que me parecem incorrectas. Estarei errado? Agradecia o vosso comentário esclarecedor sobre esta questão.
Sobre as expressões «Não me pareceu» e «Não nos pareceu»
Grata ficaria pelo favor de me esclarecerem se as expressões seguintes, que ouço e leio frequentemente, são correctas: «Não me pareceu.» «Não nos pareceu.» Pareceu corresponde à terceira pessoa do singular do pretérito perfeito de parecer. Ora, isto colide, quanto a mim, com me e nos, primeira pessoa do singular e primeira pessoa do plural, respectivamente. Se o meu raciocínio estiver certo, quais os equivalentes gramaticalmente correctos? Já agora; «por favor <noreply@ciberduvidas.pt> <whe-ld2b@kaspop.com> » não é mais um estrangeirismo, desta feita, um espanholismo? O vernáculo não será «se faz favor», que até é mais bonito e elegante? Reitero os meus agradecimentos.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa