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Os conectores mais utilizados no discurso político

Queria perguntar quais são os conectores de discurso mais utilizados no discurso político? Quais as características e estrutura do discurso político? Estas perguntas relacionam-se com o programa escolar de 11.º ano – Português.

Vera Costa Estudante Porto, Portugal 18K

O discurso político é um texto argumentativo e, como tal, apresenta a estrutura e características desta tipologia textual. O texto pode ser estruturado da seguinte forma:

Introdução: Contém a tese inicial — o ponto de vista ao qual o autor do texto quer fazer aderir o leitor —, que deve ser formulada de forma clara e objectiva.

Desenvolvimento ou corpo da argumentação: Apresenta os argumentos, que se destinam a apoiar ou a refutar a tese inicial. Pode ser organizada em parágrafos, de tal forma, que cada um deles contenha uma ideia inicial. Os argumentos devem manter entre si uma ordem e uma coerência que permitam seguir com clareza o desenvolvimento do raciocínio do argumentador.

Conclusão: Retoma a tese que se procurou provar com a exposição de argumentos.

Os argumentos a apresentar podem ser de vária ordem:

Argumentos naturais — também chamados argumentos de autoridade, incluem, entre outros, os textos das leis e as opiniões emitidas por pessoas de prestígio e entendidas na matéria sobre a qual versa o argumento;

Verdades ou princípios universais — aceites, como tal, por todos;

Exemplos — apresentação de uma situação semelhante àquela de que se está a falar.

O uso adequado dos conectores permite marcar com clareza o desenvolvimento do raciocínio e dar coesão ao texto. Conforme a relação de ideias que se pretende estabelecer, eles podem ser de:

Adição: Não só… mas também; por um lado… por outro

Certeza: é evidente que, certamente, com toda a certeza

Conclusão: em conclusão, em suma, enfim, logo, portanto

Dúvida: é provável, possivelmente, porventura

Explicitação/particularização: quer isto dizer, não se pense que

Fim/intenção: com o intuito de, com o objectivo de

Causa: uma vez que, dado que

Consequência: de modo que, de tal forma que

Chamada de atenção: note-se que, veja-se, tenha-se em atenção que

Confirmação: com efeito, como vimos, efectivamente

Exemplificação: por exemplo, isto é, como se pode ver, é o caso de

Hipótese/condição: se, a menos que, admitindo que

Sequência temporal: em primeiro lugar, em seguida, depois, seguidamente

Opinião: a meu ver, estou em crer que, em nosso entender, parece-me que

Oposição/contraste: no entanto, contudo, porém, todavia

Semelhança: assim como, pela mesma razão

Síntese/resumo: por outras palavras, ou melhor, ou seja

O discurso político deve ser persuasivo e sedutor, servindo-se, para tal, de recursos de estilo, como metáforas, imagens, jogos de palavras, hipérboles, perguntas retóricas, construções paralelísticas, etc.

Bom trabalho!

Maria João Matos
Campos Linguísticos: Coesão/Coerência; Tipologias textuais