O uso das aspas "..." e «...» - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
Este é um serviço gracioso e sem fins comerciais, de esclarecimento, informação e debate sobre a língua portuguesa, o idioma oficial de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Sem outros apoios senão a generosidade dos seus consulentes, ajude-nos a dar-lhe continuidade: Pela viabilização do Ciberdúvidas. Os nossos agradecimentos antecipados.
O uso das aspas "..." e «...»

Na língua portuguesa deverá existir alguma distinção no uso das aspas desta forma ("...") ou desta («...»)?

Será uma adequada a citações, enquanto outra é utilizada para palavras individuais? O uso incorrecto de um tipo de aspas é considerado um erro de datilografia? Em que casos é que se usa cada uma delas?

João Vasco Portugal 16K

Não tenho conhecimento de nenhuma regra severa a este respeito (se alguém tiver, por favor, entre em campo!). A preferência por um determinado tipo ou por outro é uma questão, sobretudo, de estilo. Tanto umas como outras são aspas, ou seja, trata-se do mesmo sinal com uma representação diferente.

As normas que costuma haver são “privadas” (do tipo: «Na nossa editora/no nosso jornal/na nossa revista/na nossa publicação, usamos estas aspas nas seguintes situações...»), são “regras da casa”, por assim dizer. Por exemplo, aqui, no Ciberdúvidas, usamos as aspas angulares («») em transcrições, citações e frases e/ou expressões em análise; usamos as aspas subidas ou comas duplas, como também há quem as designe (""), em palavras estrangeiras, citações dentro de transcrições, títulos de obras não linguísticas, etc.; e recorremos às comas simples ou plicas (’ ‘) para assinalar as citações ou títulos de obras não linguísticas dentro de segundas transcrições.

Já no sítio onde exerço a minha actividade profissional, por exemplo, emprega-se as aspas angulares apenas nas citações; as subidas, nas palavras que se pretende realçar de algum modo (por exemplo, porque se encontram num sentido figurado) ou quando se inserem numa expressão que já se encontra entre aspas; e reserva-se as plicas para os casos em que o que se pretende comar está dentro de aspas e estas já estão abrangidas por outras. Um exemplo: «O chefe disse ao seu subordinado: Disfarce quando ouvir a palavra relatório, combinado?”»

Rui Gouveia