O que era, o que é e o que virá, outra vez
A resposta do Prof. José Neves Henriques suscita uma dúvida de ordem semântica, que está na origem da minha pergunta. Vejamos: "o que era, que é e que virá" não me parece ser o mesmo que "o que era, o que é e o que virá". Na primeira frase há uma idéia de simultaneidade, e, na segunda, não. Supondo-se que se trata do passado, do presente e do futuro, não é possível, no âmbito do pensamento, visualizar algo que incorpore simultâneamente os três estados temporais.
Assim, se, a exemplo do prezado Professor, mudássemos a frase, teríamos: "Na Bíblia, o passado, o presente e o futuro são descritos com sabedoria" (verbo no plural, concordando com o sujeito composto). Não se poderia estender esse raciocínio para cada pronome "o", que adquiriria um caráter semântico diferente dos demais, forçando a considerar a frase constituída de sujeito composto com três núcleos, portanto, com o verbo no plural?
Evidentemente o verbo no singular soa melhor; evidentemente, como já tem repetido o Prof. José Neves Henriques, a Língua é também para ser sentida; mas a questão permanece...
Obrigado.
