DÚVIDAS

Análise sintáctica de uma frase

Bem hajam!
Recorro muitas vezes ao ciberdúvidas para esclarecer algumas questões que sempre surgem. Obrigada desde já.
A minha dúvida é a seguinte: como se classifica a seguinte oração subordinada retirada de Os Lusíadas - "Por isso, ó vós que as famas estimais,/[...] Despertai já do sono do ócio ignavo" ?
Subordinada explicativa ou restritiva? Conto com a vossa ajuda e, mais uma vez, obrigada.

Resposta

A frase, ou o excerto, em apreço, retirado da estância 92 do canto 9.º d'Os Lusíadas, é bastante interessante. Analisemo-la na globalidade:
«Por isso, ó vós que as famas estimais,/Se quiserdes no mundo ser tamanhos,/Despertai já do sono do ócio ignavo/Que o ânimo, de livre, faz escravo».
Atentemos, antes de mais, na expressão anafórica - ou seja, que retoma aspectos anteriormente focados - «Por isso». Esta expressão traz para o seio da frase um conjunto de afirmações que se "espraiam" ao longo das estâncias 89 a 92 e justifica o conselho que é dado no excerto em análise.
Deixando de fora essa expressão, vamos dividir e classificar as frases:

- «ó vós que as famas estimais,» - vocativo, interessante, pois, para além do pronome, inclui uma extensão, restritiva, constituída pela frase relativa, que depende do pronome; note-se que não é tão invulgar assim o vocativo não ser constituído apenas pelo nome ou pronome. Recordemos aquela outra afirmação de Camões: «Estavas, linda Inês, posta em sossego,» (Lusíadas, canto III, est. 120)
- «Se quiserdes no mundo ser tamanhos,» - subordinada condicional;
- «Despertai já do sono do ócio ignavo,/Que o ânimo, de livre, faz escravo.» - subordinante da condicional;
- «Que o ânimo, de livre, faz escravo.» - subordinada relativa explicativa, dependente do nome ócio.

Obrigada pela sua confiança no nosso trabalho.

ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa