«À moça, doía-lhe a cabeça» e não “Moça doía-lhe a cabeça” - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
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«À moça, doía-lhe a cabeça» e não “Moça doía-lhe a cabeça”

Tenho comigo as provas do meu último livro para crianças e ando às voltas com a seguinte frase: «Moça doía-lhe a cabeça».
Eu gosto da frase, é poética, insere-se no espírito do livro. O problema é o seguinte: será que posso utilizá-la sabendo que está errada? Ou: até que ponto está errada?
Agradecia que me respondessem com alguma brevidade.
Agradeço antecipadamente.

Sara Monteiro Escritora Lisboa, Portugal 6K

Considerando que se trata de um livro para crianças e que a leitura serve, para além da fruição, para que elas adquiram, de forma gradual e indirecta, as regras da língua portuguesa, eu não usaria da liberdade que a sua qualidade de artista da palavra, lhe concede.
Não tem problema nenhum o facto de colocar no início da frase o complemento do verbo. Quando isso acontece, o complemento continua a ter a preposição (creio que será isso o que não gostaria de fazer...) e é seguido de vírgula.
A frase «À moça, doía-lhe a cabeça» obedece a todas as regras...

Veja se gosta!

Para além disto, posso apenas dizer-lhe que, no âmbito da criatividade artística, de quem usa a língua como arte, a consulente pode usar a frase tal como a coloca à nossa apreciação.
Do ponto de vista da criatividade linguística e de algum valor pedagógico que a literatura para crianças deve ter, não lho aconselho.
Um bom trabalho e felicidades.

 

Edite Prada