A propósito do Dia de S. Martinho, assinalado a 11 de Novembro em Portugal, Maria Regina Rocha volta escrever sobre algumas palavras do culto religioso católico e não só, num artigo publicado no Diário do Alentejo de 14 de Novembro de 2008.
Licenciada em Filologia Românica pela Universidade de Lisboa; mestrado em Ciências da Educação, pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra e doutoranda na mesma; professora na Escola Secundária José Falcão, em Coimbra; larga experiência pedagógica no ensino politécnico (Escola Superior de Educação de Coimbra) onde lecionou várias disciplinas na área da Língua Portuguesa. Autora (ou em coautoria), entre outros livros, de Cuidado com a Língua!, Assim é que é falar! 201 perguntas, respostas e regras sobre o português falado e escrito, A Gramática – Português – 1.º Ciclo, A Gramática – Exercícios – 2.º ano, A Gramática – Exercícios – 3.º ano e A Gramática – Exercícios – 4. ano e Eu não dou erros!
Cf. 50 anos de carreira docente de Mª. Regina Rocha + 50 anos de docência de M.ª Regina Rocha assinalados pela Câmara Municipal de Coimbra + A linguagem e as expressões dos nomes de lugar + A elegância, a deselegância ou a «falsa sensação de elegância» na linguagem
A propósito do Dia de S. Martinho, assinalado a 11 de Novembro em Portugal, Maria Regina Rocha volta escrever sobre algumas palavras do culto religioso católico e não só, num artigo publicado no Diário do Alentejo de 14 de Novembro de 2008.
Sou fisioterapeuta e faço Doutorado em Educação na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.
Minha tese será sobre um estudo dos currículos dos cursos de fisioterapia da região Norte do Brasil e estou usando a mesma metodologia usada pelo Ministério da Educação do Brasil ao estudar a "Aderência dos cursos de enfermagem, medicina e odontologia às Diretrizes Curriculares Nacionais" (norma do governo em relação aos currículos das profissões).
Ao tentar conceituar o termo aderência encontrei no Ciberduvidas e no Portuguesbrinca (não está mais no ar, porém consegui acessá-lo via caché) que o que eu deveria fazer era estudar a adesão e não a aderência.
No entanto, em minha banca de qualificação, um professor doutor em filosofia questionou, pois segundo ele adesão significaria uma forte ligação física entre coisas, e aderência é que seria o termo mais correto (ou seja, o oposto).
Tentei encontrar em dicionários etimológicos a diferença, porém não encontrei. Nem nos dicionários linguísticos.
Daí vem o problema, pois minha orientadora diz que sites da Internet não são científicos, por isso não posso defender minha opinião baseado no que vocês disseram. Assim, eu precisaria saber a fonte de onde vocês tiraram a explicação tão bem fornecida no site de vocês.
Grato pela atenção.
Embora os termos adesão e aderência exprimam ambos a ideia de ligação, formaram-se de forma diferente, sendo também usados em contextos diferentes.
Adesão provém do substantivo latino adhaesio, adhaesionis, formado de adhaesus, o particípio passado do verbo adhaereo, com o significado de «aderir», «ligar-se a». O particípio passado confere à acção uma característica passada, consumada. O substantivo adesão designa, assim, uma ligação forte, consumada, persistente.
Aderência também tem na sua origem o verbo adhaereo, mas o particípio presente, (adhaerens, adhaerentis). Esse particípio presente significaria «ligando», «aderindo», «aderente»: assim a qualidade da ligação da palavra aderência surge como mais frágil do que a da palavra adesão.
Nos dicionários, o termo adesão é normalmente registado com o significado de ligação ideológica, intelectual, política, emocional, artística, etc., como por exemplo, a adesão a ideais, a partidos políticos, à moeda única, à greve, não sendo normalmente registada a acepção de ligação física. A acepção de ligação física do termo adesão apenas surge em contextos científicos muito específicos como, por exemplo, a Física (para designar o fenómeno de um contacto tão perfeito entre dois sólidos, de tal m...
Artigo de Maria Regina Rocha publicado no Diário do Alentejo, na coluna "A vez ao… português", de 31 de Outubro de 2008, à volta de quatro palavras da área vocabular da Igreja Católica.
Em Ainda demais, advérbio, Maria Regina Rocha, baseando-se no que, um pouco laconicamente, Rebelo Gonçalves anota no seu Tratado de Ortografia da Língua Portuguesa, não levou em linha de conta o facto de o mesmo autor (cf. Vocabulário da Língua Portuguesa, p. 317) classificar demais como advérbio de modo e não de quantidade, função esta que é suprida pela locução adverbial de quantidade «de mais». É inequívoco, pois, que apenas se poderá escrever «Os portugueses gastam de mais».
Cordialmente,
É muito interessante este assunto, dado suscitar dúvidas de pessoas conhecedoras da língua.
Vou, então, convidar o consulente a seguir a minha reflexão, por meio da qual tentarei esclarecer a dúvida levantada a respeito da frase «Os portugueses gastam demais».
Quando referi Rebelo Gonçalves, em resposta ao consulente Carlos Fontoura, citei o Tratado de Ortografia da Língua Portuguesa, por ser uma obra do mesmo autor, mas mais recente do que o Vocabulário. Efectivamente, o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (da Academia das Ciências de Lisboa, coordenação de Rebelo Gonçalves) foi publicado em 1940, antes da entrada em vigor do Acordo Ortográfico de 1945, enquanto o Tratado de Ortografia da Língua Portuguesa, da autoria de Rebelo Gonçalves, foi publicado em 1947, tendo em conta o referido acordo ortográfico. Ora, nesta obra, o grande filólogo já não restringe o valor do advérbio, apenas refere (pág. 248) que demais é «advérbio, conjunção, pronome e elemento de várias locuções». E, noutra obra na qual colaborou, o Vocabulário Ortográfico Resumido da Língua Portuguesa, da Academia das Ciências de Lisboa, também de 1947, também se refere (pág. 132) que demais é «advérbio, conjunção e adjectivo ou pronome demonstrativo», fazendo também parte das locuções adverbiais «demais disso, ao demais». Em ambas as obras se indica «cf. a loc. adv. de mais, a que se opõe de menos».
Ou seja, considero que o que Rebelo Gonçalves postula finalmente é o que decorre do acordo de 1945: demais é um advérbio com diversas ac...
Há dias, ouvindo José Sócrates num comício do seu partido nos Açores, dou por ele a dizer: «Viva o PS, viva os Açores!». «“Viva” os Açores», ou, antes, «"Vivam" os Açores»?
A construção correcta é «Vivam os Açores!».
Em primeiro lugar, lembremos que o nome do arquipélago, ou da região autónoma, é um plural – Os Açores –, levando o verbo para a 3.ª pessoa do plural. Por exemplo: «Os Açores integram a União Europeia com o estatuto de região ultraperiférica do território da União, conforme estabelecido no artigo 299.º-2 do Tratado da União Europeia.»
Quando à expressão «Viva!», ela não é mais do que uma forma do verbo viver, devendo, pois, concordar com o sujeito. A exemplo da expressão «Morra!», do verbo «morrer» («Morram os traidores!»), «Viva!» deverá seguir a regra geral da concordância verbal: «Viva a rainha!», «Vivam os príncipes!», «Vivam os republicanos!», «Vivam os monárquicos!», «Vivamos nós!».
Este é um espaço de esclarecimento, informação, debate e promoção da língua portuguesa, numa perspetiva de afirmação dos valores culturais dos oito países de língua oficial portuguesa, fundado em 1997. Na diversidade de todos, o mesmo mar por onde navegamos e nos reconhecemos.
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