José Mário Costa - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
José Mário Costa
José Mário Costa
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Jornalista português, cofundador (com João Carreira Bom) e responsável editorial do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa. Autor do programa televisivo Cuidado com a Língua!, cuja primeira série se encontra recolhida em livro, em colaboração com a professora Maria Regina Rocha. Ver mais aquiaqui e aqui.

 
Textos publicados pelo autor

Pergunta:

Não parece que a palavra media seja inglesa e sim latina, significando meios e cujo singular é "medium". Tem sido usada pelos anglo-saxões e que a pronunciam “à inglesa” como fazem com outras expressões latinas. Nestas circunstâncias, usar a forma "mídia" é assumir uma submissão cultural próxima da aceitação de um processo de colonização, aliás muito semelhante ao que está a acontecer com a palavra "randomizar" para a qual existe uma palavra latina correcta e perfeita decorrente da palavra aleatório.

Gostava de conhecer a posição do Ciberdúvidas.

Obrigado.

Resposta:

Como já respondemos anteriomente [Cf. «media», média, ¦mídia¦ + "canasto"/canastro + Ainda à volta da palvra latina media], tem toda a razão na crítica que faz a esse modismo da pronúncia à inglesa da palavra latina media. Pronuncia-se /mèdia/, e não /mídia/. Assim como ninguém diz "midiático", mas /mediático/; nem "midiatizável", mas /mediatizável/, por exemplo.

Veja-se ainda em O uso de ‘media’ (= «meios de comunicação social») as reservas quanto à opção dos dicionários da Porto Editora no aportuguesamento  da palavra latina media para "média". E, ainda, a resposta O uso de "media" (= «meios de comunicação social»)

 

P.S.–  No Brasil, adaptou-se a forma escrita "[a] mídia" (como substantivo singular, e não plural), com registo, já, no dicionário Houaiss, juntamente com os derivados "midiático", "midiatização" e "midiatizar". Enfim, mamarrachos "midiáticos" que se introduzem na língua...

 

Cf.: Ouvir ainda a explicação da linguista Margarita Correia no programa Língua de Todos, na Antena 2, do dia 24/11/2019, aqui (13´44'' – 18'36'').

     Alguns exemplos destes metadiscursos:
     O fogo amigo. O que é "o fogo amigo"? "O fogo amigo" é referido sempre que um míssil apontado para um alvo iraquiano se mostra menos "inteligente" (outra subtileza linguística deste conflito…) e, em vez de atingir o "inimigo" pretendido, lança a morte nas suas próprias forças. Se as "baixas" (outro vocábulo ora muito em voga) não falassem inglês, o "fogo amigo" passaria a ..."danos colaterais".

O baixo nível do futebol português não se avalia apenas pelo exibido nos estádios, e que as imagens via TV ainda mais escancaram. Basta ouvir falar os chamados dirigentes (honra às excepções!), especialmente quando eles se pontapeiam verbalmente uns aos outros. Ou os jogadores, treinadores e, até, os comentadores do meio, que tratam a língua (honra também às excepções!) como nem à bola mais esfarrapada. Na exacta medida, afinal, do cartaz empunhado por um grupo de adeptos do falido Sporting Fare...

O primeiro canal da televisão pública portuguesa promoveu um debate sobre a música portuguesa. Ou melhor: sobre o défice de música portuguesa, especialmente via rádio. Nada mais premente - e útil - esta preocupação de a RTP dar ela própria o exemplo. Só é pena que não o faça também com a língua portuguesa, tão maltratada ela anda nos noticiários e programas televisivos e radiofónicos. No debate de sábado, dia 8, com tantos intervenientes a tropeçarem nos asneirentos "houveram" e "poderão haver",...

Pergunta:

Eu gostaria de saber se existe alguma regra para nos referirmos aos locais.

Por exemplo: no Porto (em vez de em Porto).

Resposta:

Cmo esclarece professora Maria Regina Rocha no texto Quarteira ou a Quarteira? Em Quarteira ou na Quarteira?, a anteposição do artigo definidono nome das localidades usa-se, por regra, quando corresponde a nome comum. É o caso de o Porto: muito antes da fundação da nacionalidade já neste local existia um porto. Entre outros, por exemplo: o Funchal (o funchal é um terreno onde crescem funchos, e o funcho é uma planta frequente na região baixa da costa sul da Madeira); a Guarda (de guarda, devido à posição estratégica desta cidade): a Cuba, vila alentejana ( a cuba = recipiente de madeira grande, onde se pisam uvas ou onde se guarda o vinho ou o vinagre na adegas; tonel grande, dorna para vinho); ou a Figueira da Foz (relativo a